Monday, December 27, 2010

2010 (II)

De uma forma estranha acabou por ser O Ano. Não porque me tenha trazido amor eterno, ou o trabalho da minha vida. Não foi o ano em que me tornei mãe, plantei uma árvore ou escrevi um livro.

Foi um ano de barreiras. Algumas delas já se vinham construindo há mais tempo, mas só em 2010 se ergueram no meu caminho.

2010 foi... o ano de todas revelações. Das boas, daquelas que surpreendem e arrepiam até à raiz do cabelo, que deixam ligações a pessoas para toda a vida.
Das más, daquelas em que vemos que o fundo de barro que habita em cada um de nós supera tudo.

Foi o ano das descobertas. Das mais pequeninas, como o gosto por um copo a noite toda. Das maiores, como saber o que se quer e o que nos faz bem.

Com as descobertas vieram as paixões, as loucuras, a espontaneidade, o colocar-me em primeiro, o aceitar as desilusões.

2010 foi O Ano. Para o bem e para o mal, deu-me forças e capacidades que eu desconhecia ter em mim.

Friday, December 24, 2010

Feliz Natal




In sweet accord we thank the Lord
For a Christmas auld lang syne

Seja no que for que acreditem, lembrem-se que o Natal é luz. Boas Festas!!!!

Sunday, December 19, 2010

Sabem quando conseguem ser todas as personagens da vossa vida?

Tipo: a filha, a madrinha, a tia, a amiga, a profissional... e por aí fora... Pois é, tenho andado a sê-lo, com sucesso, e de saltos altos!

Sunday, December 12, 2010

A minha mãe conhece-me

Com a casa nova, o trabalho, o Natal à porta, os amigos, o Manuel que aí vem, tinha decidido que não haveria grandes decorações natalícias no meu T2.

Pensei que comprava as decorações nos saldos em Janeiro e fazia a festa com uma coroa na porta e a gigante árvore em casa dos meus pais. Mas... não resisti e comprei uma árvore... desta vez artificial (há que ser responsável). Fui ao fundo do baú e trouxe um presépio que tinha comprado no México. (sou agnóstica mas adoro presépios, ok?)

Achei que bastavam meia dúzia de bolas, só sentir o Natal cá em casa, daí que tenha dito à minha mãe que não valia a pena ela comprar-me muitos enfeites.

Mas a minha mãe conhece-me. Um dia destes chego a casa e tinha um saco com algumas bolas importantes: uma comprada na Jamaica, o urso que a A. me trouxe de Londres, a bola da Unicef dada pela C, e as bolas que comprei na Disney com The Twelve Days of Christmas . Ela não sabe só do que eu gosto. Sabe que gosto de coisas com significado. Que um enfeite da árvore de Natal não é só um enfeite. Tem um significado.

Friday, December 10, 2010

2010

Foi bom. Mais que bom.
Apesar das coisas más que aconteceram em 2010, a verdade é que não me posso queixar de nada. Mesmo.

Há que ser justa. Não me faltou nada a nível material. Tenho uma casa nova, completamente feita à minha maneira. Consegui dar a volta aos percalços no trabalho, ainda que as olheiras "abundem" em mim. Enterrei pessoas que me fizeram mal, mas sem rancores. Voltei a sentir o coração a palpitar, e isso é sempre bom, até porque sem acabar num final feliz, a história foi maravilhosa:)

Não peço muito para 2011. Se puder, que continue assim... mais ou menos

Thursday, December 09, 2010

Primeiro mês

Começo-lhe a conhecer os cantos. Não me perco no caminho, nem tenho medo do escuro à noite. Convivo bem nesta união de facto. Eu e ela, a minha casa nova, já celebramos o primeiro mês de vida a dois.

Tuesday, December 07, 2010

Manuel II

Agora que já lhe vi o coração, que já o ouvi respirar, que sei que já está em posição para cá chegar, fico mais descansada.

Quando no fim de Janeiro o tiver ao colo sei que a vida se vai encher ainda mais. Tenho um mar de amor e mimos para lhe dar. Está quase cá o Manuel.

Monday, December 06, 2010

Dos filmes para a vida



Norma Rae: Forget it! I'm stayin' right where I am. It's gonna take you and the police department and the fire department and the National Guard to get me outta here!

in Norma Rae 1979

Sem medo

Querida P,

É, talvez, das maiores virtudes e também dos maiores defeitos: a capacidade olhar o medo de frente.

Pegando numa expressão tua, "mulheres como nós" caem, levantam-se e ficam com medo de voltar a cair. Mas por mais voltas e reviravoltas que a vida dê acabam por ir às entranhas buscar coragem para enfrentar o medo. Começam por lhe dizer baixinho que não vale a pena ele insistir, pois tudo pode acontecer. Depois tornam-se nos mais frontais seres do mundo para lhe dizer "que se lixe, vou arriscar".

Depois de te ter visto, vezes demais, no meio da tempestade sabe-me bem ver-te encontrar a bonança. Sabe-me bem.

Sunday, November 28, 2010

O caminho mais difícil


Com a casa nova, a primeira onde moro sozinha, oiço constantemente aquela frase bonita: e o seu marido? Volta e meia lá há quem diga 'namorado'. O melhor que já ouvi de imobiliárias, lojas de móveis, decoração e companhia é se a casa é só para mim... por agora.

Respondo sempre com um ligeiro sorriso amarelo que sim. E que estou a viver um dos momentos mais desejados da minha vida. Recebo, quase sempre, um sorriso de pena. Sim, porque na realidade é melhor (e isto não significa mais fácil) começar um projecto a dois.

Ter alguém com quem repartir as despesas, alguém que ajude a tratar dos milhões de papéis, alguém com quem discutir os móveis e o estilo da casa, alguém que se ofereça para carregar as compras, no fundo ter alguém que seja o porto de abrigo do fim do dia. A estabilidade.

Crescemos com a noção romântica de que vai chegar aquela altura, lá para os 20 anos, em que vamos conhecer a tal pessoa. Mal ou bem vamos acabar por ficar com essa pessoa. Aquela que nos completa, que nos faz palpitar o coração de cada vez que mete a chave à porta, a que conhece os nossos segredos mais profundos.

Só que depois... a vida complica-se. Conhecemos pessoas que nos fazem mal e caímos ao chão. Conhecemos pessoas que "apenas" nos magoam por não gostarem de nós da mesma maneira que nós gostamos delas. Conhecemos pessoas que magoamos sem querer porque não gostamos delas. Acabamos sempre por nos levantar e recomeçar. Dê lá por onde der, damos a volta. Custa. Dói. Mas damos a volta, mesmo que o coração trema por largos meses ao ver a cara desejada.

Neste longo processo de crescimento percebemos que não podemos estar à espera de situações perfeitas para seguir em frente. A vida também continua se estivermos sozinhos. E é este o caminho mais difícil. Aprender a estar bem sozinha, a gerir o espaço para uma só pessoa, a ter "vida" sozinha. Tudo isto pressupõe uma entrega enorme, a mais difícil de todas. A entrega que fazemos a nós próprios. Sem certezas de que o futuro nos vá dar algo a dois.

Apesar de ser mais fácil - e bem melhor -, partilhar a vida com alguém especial, eu continuo a preferir ter-me a mim por companhia do que arranjar uma pessoa só por arranjar. Foi este o compromisso que já há muito fiz comigo. Tenciono cumpri-lo. Por mais que as minhas noites sejam inundadas de nostalgia.

Friday, November 26, 2010

Isabel Maria II

Um voz pequenina e doce, mas num português perfeitinho, do outro lado da linha diz: "Mãe", "António". E naquele momento um aperto no peito e uma saudade maior que o mar que me separa dos Açores.

Sunday, November 21, 2010

Do sonho à vida real

Sou romântica. Não há nada a fazer. Já desisti de deixar de ser assim. Em tudo o que me acontece ou sonho ponho sempre uns pózinhos de romantismo... seja em que sector da vida for.

Desde sempre que imaginei que quando morasse sozinha que volta e meia ia sair do trabalho, passar pelo supermercado gourmet, comprar o que de mais exótico houvesse e cozinhar um jantar tranquilamente para os meus diferentes grupos de amigos. Ah! e fazia isto tudo de saltos altos, muito bem pintada e maquilhada.

Pois é. Mas na vida real as coisas acontecesse de uma maneira um bocadinho diferente... É chegar em cima da hora para começar a cozinhar, sair a correr, de carteira na mão, três ou quatro vezes para ir ao supermercado mais perto comprar tudo o que me esqueci e despenteada e ar desesperado servir a comida com algum tempo de atraso. Só que como sou romântica, acho que a confusão do primeiro jantar de amigos se deve, apenas, ao facto de ter sido o primeiro...

Wednesday, November 17, 2010

Dar a mão

Sei que aí vem um dia difícil. Não lhe minto e digo-lhe que vai doer. Muito. Ela também sabe.

Como é corajosa enfrenta o momento. Eu encho-me de orgulho, por vê-la assim. A enfrentar os dias complicados, quando era tão fácil esconder-se. A vida já a habituou a não ter medo, a assumir as rédeas.

Mas também me encho de raiva. Ela não merece. Não devia ser assim. O dia que se avizinha não devia ser difícil. Se eu pudesse cortava-o do calendário. Não tenho esse dom. Vou-lhe dar a mão. Porque sei que vai doer e não vale a pena esconder isso.

Para a R.

Tuesday, November 16, 2010

Tem de ser mesmo tão difícil?

Uma pessoa cai. Fica algum tempo no chão a chorar, depois levanta-se. Devagarinho. Volta a apreender a andar. Aos poucos ensaia maneiras de perder o medo. Até ao momento em que pensa 'que se lixe' e volta a mergulhar. Quando dá por ela está dentro do buraco negro outra vez. Só que desta vez parece bom, é melhor. Chega a ter momentos em que parece que o mundo pára. Mas depois... Depois volta a cair. Sempre assim.

Sunday, November 07, 2010

Blogue de gaja

Já ouvi várias vezes a frase 'tens um blogue de gaja'. Mas só depois de ler isto é que a pergunta me começa a palpitar na cabeça... afinal o que é um blogue de gaja?

Terceiro destino de férias de 2010: Inesquecível

Tuesday, November 02, 2010

300 postos de trabalho em Mangualde

não é o fim da crise, mas é tão bom ouvir uma notícia como esta. mesmo que o horário e o salário sejam menores, a verdade é que durante seis meses há menos 300 pessoas desempregadas.

Monday, November 01, 2010

O Manuel vai fazer ó-ó aqui

Vou tirar uns dias esta semana para ir a uma cidade amiga:)

2011

2010 ainda não acabou e nós já tememos o horribilis 2011 que aí vem. Lido com a realidade todos os dias. Todos os dias. Foi esta a vida que escolhi. Só que às vezes dá-me vontade de fugir da realidade. De apagar todos os programa que tenho no computador e me trazem as últimas do país e do mundo. De deixar de ler jornais, ver noticiários e ouvir apenas música no carro. O medo está-se a apoderar de mim. E ainda dizem que o 13 é que é um número de azar...

Sim, eu tenho um Deus... aliás vários!

Não sou crente, apenas sei que acredito em qualquer coisa. Não é bem a definição de agnóstica, mas anda lá perto.
Dos vários deuses que constam do meu altar está lá este. Pequeno pedaço de génio que espalha (sim o verbo está de propósito no presente) magia.


Palavras sábias

"Quando se ama quer-se a outra pessoa, ponto. Se for a bem melhor, se for a mal é porque teve de ser.!"

MEC sobre a diferença entre amor e amizade.

Desculpem lá

mas eu estava a precisar de dois dias sem ligar o computador. de fazer coisas completamente parvas e fúteis sem pensar na desgraça em que está o país. pronto, já está. agora estou de volta!

Tuesday, October 26, 2010

Tão simples, tão simples

Les Amants Reguliers



Mal li a sinopse percebi que o filme tinha tudo para entrar no meu Hall of Fame. Amor, revolução, Maio de 68, Paris, conquista. Mas só quando me sentei na sala do cinema é que vi que 'Os amantes regulares' é um dos filmes da minha vida.

Foi a ele que fui buscar o nome deste blogue. Foi com ele que vivi uma época com a minha mãe. Foi com ele que aprendi a dizer adeus.

Para sempre a cena de amor em que, no meio da batalha campal que era Paris em 68, ele lhe diz a ela que 'A manhã é italiana e a noite alemã'. A vida começou ali.

Sunday, October 17, 2010

Como um rochedo

Sou uma rapariga bem criada. Tive direito a todos os mimos e mais alguns deste mundo. O papá e a mamã nunca me faltaram com nada. Nem material, nem emocional.

Se por um lado nunca me disseram que 'não' a todas as coisas que lhes pedia, por outro sempre me explicaram que éramos privilegiados e que isso vem com responsabilidades acrescidas. Daí que tenha aprendido o valor do dinheiro, do trabalho, da dignidade, da solidariedade, da compaixão, da amizade, da partilha.

Fui filha única numa família onde a casa esteve sempre cheia. Desde cedo conheci pessoas e países que a maioria dos meus colegas - da escola pública "porque é importante conviver com crianças de todos os estratos sociais" -, nunca tinham ouvido falar.

Ensinaram-me a não fazer as coisas superficialmente. Se somos amigos, somos AMIGOS, se somos companheiros, somos COMPANHEIROS, se vamos à luta, então... preparamos-nos para entrar em guerra.

Depois cresci. Construí-me na pessoa que sou hoje com os alicerces que os meus pais me foram dando. Aproveitei cada bocado de experiência de vida, cada amigo, cada história, cada viagem.

Tornei-me mulher e com isso veio a parte mais difícil. O ter de conquistar aquilo que não era um bem adquirido. Apesar de não ser fácil para muita gente, a verdade é que depois de uma "vida de princesa" a vida levou-me a travar muitas batalhas.

Tantas que um dia ouvi o meu pai dizer, sem saber que eu estava a ouvir, que tinha orgulho em mim, porque eu não desistia, não tinha medo do trabalho, era esforçada em tudo o que fazia.

E era. Aliás, sou. Como diz a A., "tu procuras sempre o que é mais difícil'. Respondo-lhe que cada um é para o que nasce, por isso já desisti de mudar o meu dna.

Travei muitas batalhas, perdi quase todas as guerras. Mas também ganhei nessas derrotas. Fortaleci-me. Transformei-me numa pessoa que aguenta tudo o que lhe vão dizer. Mesmo que doa. E dói tanto. Tanto.(e são tantas as vezes em que a dor é mais forte que a minha capacidade de respirar) Mas aguento-me. Oiço. Reflito. Penso. E faço a digestão de cada problema de uma vez.

O caminho que tenho pela frente ainda é muito longo. Mas mesmo nos meus dias de maior cansaço nunca me passa pela cabeça desistir. Continuo a guiar-me da mesma maneira. A única coisa que mudou é que me tornei dura. Como um rochedo.

Sorrisos que consolam



Às vezes (demasiadas vezes) tenho dias em que quase sou deitada ao chão. Mas quando me aninho no sorriso dos que me consolam, tudo muda.

Friday, October 15, 2010

Parecer



"You won't feel like it. But put on nice clothing. Force yourself, too. Not for public. For you." Alicia in The good wife

Sunday, October 10, 2010

Tão verdade que até dói...



Un hombre puede cambiar todo. Su rostro, su hogar, su familia, su novia, su religión, su Dios. Pero hay una cosa que no puede cambiar. Él no puede cambiar su pasión ...

A propósito do que se passa na China

"Há pessoas que lutam um dia e são boas,
há outras que lutam um ano e são melhores,
há aquelas que lutam muitos anos e são muito boas,
mas há pessoas que lutam a vida toda,
estas são imprescindíveis."
Bertold Brecht

Hoje, depois de visitar o marido na prisão, a mulher Liu Xiaobou foi colocada em prisão domiciliária.

Este post é dedicado a todos os que "abençoam" a China como potência do futuro.

Saturday, October 09, 2010

Uma das mais belas descrições de liberdade

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Thursday, October 07, 2010

Noite

É quando a cabeça cai na almofada que a realidade me faz refletir. As horas perdidas do dia a reviver momentos, o peso da dor no coração, o desconforto de quem passou um dia "quase bem". (Aqui o quase é uma palavra tão terrível...)

Depois vem uma espécie de crença num futuro mais sorridente. Mas os dias passam e ele - esse futuro melhor - teima em não chegar. Entre as voltas e revoltas na cama, o sono que atrasa de dia para dia, a ansiedade em descansar, umas gostas de racionalidade colocam um travão na realidade avassaladora. E assim sigo todos os dias. E assim suporto todas as noites.

Sunday, October 03, 2010

De um dia para o outro

O frio superou o calor. Quase sem dar por isso as estações mudaram. À velocidade da luz.

Isto, numa altura em que nesta casa ainda não havia nada preparado para receber o frio. Nadica de nada! Não há roupa da nova estação à mão, nem sapatos, nem guarda-chuvas, N-A-D-A. É que ainda ontem eu fui à rua de sandálias nos pés e t-shirt...

Como eu tenho pouca coisa que fazer, toca de improvisar até conseguir dar um salto às lojas. (Não, não se trata de uma futilidade, é que eu perdi 24 quilos nos últimos meses e a roupa não me serve. Cai-me do corpo, literalmente)

Detesto ser apanhada de surpresa!!!!!!!

Por muito bem que tenha sabido

receber um ramo de flores, no trabalho, vindo de um admirador... quando não vem da pessoa desejada não tem o mesmo sabor...:(

Querida A.,

Há noites em que vou para cama, sem ter um mais que tudo ao lado, e lembro-me de vocês os dois. É o suficiente para voltar a acreditar no Amor. Parabéns!!!!

Tuesday, September 28, 2010

E se um dia um desconhecido lhe oferecer flores?

Pois é, cidadãos do mundo que leem este blogue: aconteceu. Um desconhecido enviou-me hoje um ramo de flores para o jornal. Verdadinha. Para vos provar o que digo hei de postar aqui uma foto do ramo (bem bonito).

A história já acabou aqui. Admiro a coragem do senhor, por isso, os detalhes não vêm parar aqui.

Só posso garantir que foi bem engraçado ser surpreendida por um ramo de flores... vindo de alguém...

Sunday, September 26, 2010

As amigas

No complicado mundo das relações há uma prova que, sem parecer, se torna a mais difícil de todas: passar no teste de aprovação das amigas. Sim, das amigas! Esqueçam os pais, os amigos, os ex-namorados que se tornaram grandes amigos, os filhos, os tios, os colegas, os irmãos, os chefes de trabalho. São as amigas as mais exigentes, as mais difíceis de agradar, as mais desconfiadas, as que vão levar mais tempo a acreditar.

Escrevo com conhecimento de causa. Houve um tempo, já distante, em que achei que os homens de algumas das minhas amigas não eram os mais indicados. Por mim, uma delas nunca teria tido o segundo encontro com a pessoa com quem está há quase três anos e que é um rapaz 5estrelas. Passei noites acordada a achar que outras mereciam homens melhores, que deviam experimentar mais da vida, que isto e aquilo. Levei tempo, demasiado porque hoje sou amiga destes rapazes, a aceitá-los. A acreditar que eles eram ‘o tal’. Isto tudo, sem que eles algum dia lhes tivessem feito algo grave!

Sou exigente como amiga. Quero o melhor para as minhas raparigas e qualquer homem que sonhe em fazer-lhes mal vai ter de se ver comigo. Odeio, e aqui é mesmo odiar, os outros homens, aqueles que as fizeram infelizes. Os que não lhes ligaram, os que lhes prenderam o coração sem dar nada troca, os que na realidade não gostaram delas o suficiente. Assim que tenha a mínima hipótese tratar-lhes-eis da saúde.

Elas também são assim comigo. Quando eu começo a divagar, e a desculpar tudo e mais alguma coisa chamam-me à terra. Lembram-me que também eu mereço melhor. Mostram-me a realidade da pessoa que me possa encantar. No fundo, dizem-me a verdade que eu oiço, baixinho, dentro de mim. Aquilo que eu já, mas que ganha outra força quando são elas que me dizem.

Mas ao mesmo tempo acreditam, muito mais do que eu, que há por aí uma pessoa especial. Dão-me mimos e juram-me que tudo vai ficar bem.

Elas estão sempre por aqui. Alerta. Exigentes. E não perdoarão a quem me partir o coração, afinal são sempre as mesmas que me colocam os cacos e fazem voltar ao mundo.

Acho que os 27 me ficam bem...

Recomeçar

Agora, que o frio já espreita e a loucura do Verão começa a arrefecer, preparo-me para novas etapas. É tempo de arrumar a roupa fresca, organizar as gavetas e deixar as ideias assentarem.

Respirar, tranquilamente, é o exercício que faço nesta fase de recomeço. Ajuda a analisar os passos que ficaram para trás, a saborear os pequenos momentos com as 'minhas pessoas'.

Com Outubro chegará uma nova fase. Sem rancores e inquietudes, cá estou pronta a abraçá-la.

Tuesday, September 21, 2010

Para A.


Os ponteiros do relógio nunca pararam nos últimos 12 anos, mas eu continuo sempre a ver-nos da mesma maneira. Na minha cabeça, ainda não despimos os pijamas azuis com bonecos. Continuamos na minha sala a conversar sobre a vida, como se já fossemos crescidas.

Tenho a certeza que quando nos conhecemos nos achávamos as miúdas mais adultas deste planeta. E foi essa responsabilidade, anormal no topo da adolescência, que nos uniu.

Não consigo explicar como uma certinha (ela) e uma impulsiva (eu) se continuaram a aturar estes anos todos. Ou melhor… se calhar até consigo… Deve ser a enorme paciência dela em ouvir-me as angústias, quando está a passar pelo melhor da vida e merece ser o centro de todos os mundos. Deve ser a generosidade que ela tem que a “obriga” a preocupar-se, sempre, comigo. Deve ser o carinho com que fica na cama a pensar se eu fui para casa. Deve ser a capacidade que ela tem em acreditar que amanhã vai ser tudo melhor para mim, sem pensar nela em primeiro lugar. Deve ser a felicidade que ela exprime no rosto quando eu lhe conto as minhas coisas. Deve ser por ela acreditar, muito mais do que eu, que há por aí alguém, que me complete, à espera. Deve ser por ela aceitar os meus momentos de dúvidas, mesmo quando vai contra todas as convicções que tem. Deve ser por ficar angustiada quando tem medo que eu cometa asneiras. Deve ser…

Ela é assim. Todos os dias. Agora vai melhorar a vida de todos nós para sempre. E eu quero mimá-la tanto que nem sei como. O que me consola, descansa, tranquiliza, é que sei que não tenho de me preocupar. Ela está completa.

Música de fundo para uma noite de trabalho

E é isto

"At the end of the day, when it comes down to it, all we really want is to be close to somebody. So this thing, where we all keep our distance and pretend not to care about each other, is usually a load of bull. So we pick and choose who we want to remain close to, and once we've chosen those people, we tend to stick close by. No matter how much we hurt them, the people that are still with you at the end of the day - those are the ones worth keeping. And sure, sometimes close can be too close. But sometimes, that invasion of personal space, it can be exactly what you need."

Meredith Grey in Grey's Anatomy

Monday, September 20, 2010

Peço desculpa mas...

Talvez seja eu que já não consigo acreditar. Até posso estar a ser influenciada pelas minhas experiências de vida. E, sim, já sei que me vão crucificar depois do desabafo que me preparo para fazer... Mas eu não acredito que exista uma pessoa perfeita para outra pessoa. Não acredito que x esteja destinado a amar y. Não acredito em gente que só podia ficar com aquele alguém.

Não me levem a mal, e eu tenho amigas como esta e esta, que sei que estão com os melhores homens deste mundo, que no meio de tanta imperfeição consegue atingir um patamar de sonho, mas eu não acredito em caras-metades.

Acredito que quando estamos apaixonados, o outro nos parece sempre a pessoa ideal. A nossa pessoa. Mesmo que não tenha nada a ver com aquilo que nós sonhámos.

Quando se está apaixonada tudo na outra pessoa é maravilhoso. Tudo na outra pessoa é tão melhor que o anterior....

Não acredito que seja uma ligação especial que dite o sucesso de uma relação. Para mim, o sucesso vem da conjugação dos feitios, das circunstâncias da vida e do amor. Nada disto que aqui escrevi significa que não acredite no amor! Acredito, mas não o vejo como uma fórmula mágica que precisa de duas pessoas específicas para funcionar.

Coisas que só me acontecem a mim

Depois da festança dos anos não me consegui levantar a horas de ir madrugar para o ginásio. Adiei a coisa para o fim do dia. Despacho-me a horas decentes, ensaio uma espécie de lanche e corro para fazer uma aula de rpm. No meio da lufa-lufa da troca de roupa no balneário, reparo que afinal me tinha esquecido das calças... Não me dei por vencida, fui ao horário e vi que se esperasse uma hora tinha uma aula de hydrobike e fato-de-banho eu tinha! Vesti o fato-de-banho fui ao carro buscar um livro e pus-me em plena recepção à espera da hora para ir buscar a senha.

PS: Obrigada Mariana: estou a amar o livro:)

Saturday, September 18, 2010

27

Todos os anos o ritual se repete. A minha mãe conta como a esta hora já estava "mais para lá do que para cá", com os três dedos de dilatação que não deixavam passar um bebé de 4kg e 56 cm. O meu pai nunca se vai esquecer da mim "cheia de sangue e pendurada de cabeça para baixo". Ao fim de três dias a surpresa: afinal era uma menina:)

Pssst!

só para dizer que estamos a 'limpar a cara'.

Passado emocional

Outra daquelas coisas fantásticas da maturidade com que hoje me deparei: estou demasiado bem comigo para perder tempo a odiar quem quer que seja. O passado emocional está bem lá atrás. Por isso, os links continuam os mesmos na coluna da direita.

Tuesday, September 14, 2010

Isabel Maria

Pergunto-lhe como faz o pato. Ela diz. E a vaca? Também sabe. Passamos por vários animais até chegar ao gato. Miauuuu, responde com um sorriso amoroso. Pelo meio da conversa dois olhos azuis enormes que falam e riem. E pronto, o meu coração derrete-se.

Thursday, September 09, 2010

É tão bom quando me revejo nisto:)

Dias bons, dias maus

Com o tempo aprendi a gostar de mim, da minha vida, do meu mundo que ainda é tão incompleto. (Houve alturas em que achei que isso só fosse acontecer quando tivesse alcançado todos os objectivos.)

Nada disto significa que me estou a acomodar à realidade, pelo contrário. O facto de me sentir bem na minha pele dá-me mais força para continuar a lutar pelo que quero ser, seja no campo pessoal ou no profissional.

Com serenidade aceito que há dias bons e outros que são maus. Mas tenho a certeza que quando todas as 24 horas terminam eu sou feliz. Independentemente daquilo que me façam.

Só assim para fazer inveja... mas da boa



Wednesday, September 08, 2010

Manuel

Vi-o quando ainda era uma dúvida. Gostei dele logo aí, mesmo sem saber o que seria. Fui a primeira a saber da certeza. Provoca-me uma sensação estranha (e boa!) de amor incondicional. À medida que o tempo passa torna-se mais real. Sinto-me uma privilegiada por poder tê-lo na minha vida. Estou à espera de ser tia e a madrinha do Manuel.

Na América

Detesto estereótipos e ideias pré-concebidas, mas mesmo assim lá vou tendo as minhas manias. E eu tinha a mania, e defendia-a com convicção, de que os americanos eram as pessoas mais egocêntricas e arrogantes do mundo. Pois é… afinal não são.

Passei as últimas três semanas nos EUA, em três cidades de dois estados diferentes. A princípio pensei que a simpatia das pessoas de São Petersburgo, na Flórida, se justificasse por ser uma cidade pequena do sul, onde as pessoas ainda têm tempo para conversar. Depois fui para Miami e pensei que enfim eram os sul-americanos que tornavam a frenética cidade num sítio familiar. Finalmente cheguei à selva. Apesar da enorme vontade em conhecer Nova Iorque, tinha o secreto receio que me atropelassem ou fizessem algo pior por lá…

Ao fim de três semanas só recebi sorrisos e boa vontade. Na maior parte das vezes nem precisava de dizer que estava perdida, havia sempre alguém que se aproximava e dizia “Do you need directions?” Numa me faltou uma alma simpática que me quisesse ajudar com os sacos, ou que me segurassem a porta, ou que me perguntassem de onde é que vinha. E quando não tinham bem a noção de onde ficava Portugal – a maioria conhecia o Cristiano Ronaldo e a selecção -, tinham curiosidade em saber mais. E a quantidade de mulheres – sim mulheres – que se aproximou de mim para dizer que gostava ou dos meus sapatos, ou da minha roupa, ou do meu estilo, assim sem me conhecerem de lado nenhum. E a quantidade de gente que me perguntou se eu queria que me tirassem uma fotografia?! Agora façamos uma refelxão interior e vejamos quantas vezes vemos os turistas a serem assim tratados na Europa, no nosso país, até mesmo por nós!

Sim, a América tem muitos defeitos, não passei a ser uma defensora do sistema de Estado capitalista selvagem, mas os americanos merecem ser vistos de outra maneira. Sem querer, deram-me uma enorme bofetada de luva branca, é que não se pode julgar o todo por uma pequena parte.

Podem-me dizer que tive sorte, mas já visitei muitas capitais europeias em que me nem sequer paravam para me indicar o nome de uma rua.

Friday, August 20, 2010

Live from... the states

Saí meio à pressa sem dizer para onde ia. Ainda estou aqui, mas em breve chego a Miami e conto terminar a viagem em Nova Iorque. Daqui a menos de três semanas conto tudo.

PS: Isto está a ser o máximo!!!!!

Friday, August 13, 2010

Desabafo quase em ponto de ebulição#3

Dormi duas horas a noite passada. Estive a acabar um trabalho. Às nove já estava a trabalhar em modo de pesquisa. Fui tratar dos últimos detalhes das férias que aívêm (sim a viagem aos states) na hora de almoço. O meu turno no jornal hoje terminou às 23:00. Fiquei até agora a legendar reportagens minhas em inglês, porque as vou analisar quando estiver no Poynter. Os meus olhos estão tão cansados que, quase, se fecham sozinhos. Tenho uma folha A5 cheia de assuntos para arrumar antes de entrar num avião sábado de manhã. E sabem que mais? É nestas alturas que penso 'Gracias a La Vida':)

Monday, August 09, 2010

Publicidade?! Não, mas muito obrigada:)

Andava eu na pacatez da minha existência, quando recebo um e-mail a fazer-me uma proposta para eu ter publicidade aqui neste blog!!!! Sim, é verdade! Juro!

Fiquei maravilhada, mas a minha carteira profissional de jornalista impede-me de aceitar. Sim, eu sei que as patetices que escrevo aqui não são jornalismo. No entanto, não deixo de ser jornalista quando chego a casa à noite e abro o blogger. Entendem?

Declinei o convite. Além de agradecer aos senhores que me queriam dar dinheiro, tenho de vos agradecer a vocês. A todos os cidadãos do mundo que lêem este blog. Ah pois é... São vocês que me proporcionaram um dos melhores momentos da última semana.

Saturday, August 07, 2010

O amor é...

O amor é puro. Por mais começos e recomeços que a vida nos obrigue a fazer.

O amor é complacente. Por mais golpes que sofra consegue ultrapassar a dor.

O amor é nobre. Por mais defeitos que existam faz sobressair as virtudes.

O amor é companhia. Por mais só que a vida pareça há uma luz de presença no fundo do túnel.

O amor é verdade. Por mais tentadora que seja a facilidade de mentir.

O amor é prazer. Por mais que se receba será sempre um vício.

O amor é convulsão. Por mais que as lágrimas equilibrem os sorrisos provoca uma revolução constante que arrepia a espinha.

O amor é difícil. Por mais fácil que pareça, o sentimento mais nobre do mundo não se conquista num só dia.

O amor é felicidade. Por mais que se acumulem os momentos menos felizes.

O amor é amizade. O amor é bonito. O amor é tudo.

Daqui a um mês votlo ao natural:-)

Friday, August 06, 2010

Conforto é...

... regressar às pessoas e aos lugares onde fomos (e somos) felizes.

Monday, August 02, 2010

E a vida melhorou para sempre...

Sempre soube que ela ia ser a primeira. Mas também sempre imaginei que me daria a notícia numa tarde de sol. Assim... como se estivéssemos num quadro de Monet. Talvez já na minha casa nova.

Quase sem eu estar à espera (porque a verdade é que sempre estive à espera) ela deu-me a notícia mais importante da vida. E quando o fez partilhou comigo o momento em que mudou para sempre.

Eu não estava à frente dela, como sempre imaginei, mas do outro lado da vida virtual vi-a sentada no meu sofá da sala, com um pijama azul aos bonecos, a preparar-se para dormir pela primeira vez em minha casa. Esta imagem repete-se na minha cabeça em todos os nossos momentos de crescimento, sim porque também eu estou a crescer com esta fase. Nós as duas, no começo da vida. No começo da Amizade.

Nada será como dantes. E ainda bem... porque em breve a (nossa) vida será muito melhor:)

Para A.

Monday, July 26, 2010

Grandes momentos de maturidade#1

Crescimento emocional. Há dias em que fico admirada com o que cresci nos últimos tempos. A minha capacidade de gerir as emoções está, definitivamente, mais madura. Tanto que há alturas em mudo os vários chapéus da vida com uma enorme facilidade, sem ter que esconder de mim mesma o que vai cá dentro.

Sunday, July 25, 2010

Amanhã vou acordar assim...



... em formato duplicado, a desdobrar-me em várias pessoas para mais uma semana a correr.

I hope...

Uma pessoa perde as expectativas. Deixa de acreditar nos grandes romances. Conforma-se com a falta de sensibilidade e bom senso dos homens. Resigna-se à falta de sorte.

E depois... Depois ouve alguém dizer que outro alguém é a pessoa perfeita... e com sinceridade!!! E pronto. Fica assim meio para o chateado porque lá fica a acreditar que sim, é possível. Sim, todos nós podemos ser o mundo para outra pessoa.

O problema é que desde que ouvi aquelas palavras voltei a ter esperança. E a esperança, para quem está sozinha, é lixada.

Fiéis

Na política, como na fé, há pessoas que nunca perdem os valores em que acreditam. Não temos de concordar com tudo o que dizem. Não precisamos de assinar por baixo de todos os seus atos.

O mais fascinante é quando, anos e anos depois de terem sido derrotados, continuam fiéis às suas crenças. Ser assim fiel a um tipo de fé, é qualquer coisa que me... deslumbra.

Diário da casa nova#6

Escolhi fazer as coisas com calma, apesar de estar cheia de vontade de me mudar. Enquanto espero pelos móveis vou encaixotando 26 anos de vida. O mais bonito de tudo é encontrar objectos que nos fazem viajar no tempo, seja para nos levar aos momentos mais felizes ou aos menos felizes.

Gracias a la vida que a balança pende para o lado dos mais felizes.:)

Saturday, July 24, 2010

O mundo é uma ervilha

As terças costumam ser sagradas. Depois do tango, há Roda de Choro no clube Lusitano (como é verão não tenho cumprido a regra, mas isso-agora-não-interessa-nada). Vou sempre com as mesmas amigas e a noite torna-se candidata a momento da semana.

E não é que esta terça, em plena semi-festa de anos desta menina, conheço a cara que alimenta este blogue, por intermédio deste senhor:). Empatia imediata e pronto. Gosto muito de conhecer gente nova (e simpática).

Friday, July 23, 2010

A maior conquista da minha vida

Há qualquer coisa de absolutamente fantástico quando, no meio do rebuliço do dia-a-dia, me apercebo de que sou quem controla o caminho.

Quando resolvo os problemas sem parar o mundo. Quando ultrapasso as tormentas quase sem ninguém se aperceber delas. Quando decido. Quando chego a casa e me sinto bem, apesar dos dissabores. Quando aceito que vou ter de conjugar o que de bom e mau a vida me trouxer.

Quando me sinto preenchida, apesar da enorme vontade de conquistar mais, e não tenho medo do amanhã.

Sentir tudo isto foi a maior conquista da minha vida.

Tuesday, July 20, 2010

Desabafo quase em ponto de ebulição#2

há dias em que apetece tanto descansar. há meses que não tenho um dia só para isso.

Monday, July 19, 2010

Da memória e saudade

"Aquele que partiu
Precedendo os próprios passos como um jovem morto
Deixou-nos a esperança.

Ele não ficou para connosco
Destruir com amargas mãos seu próprio rosto
Intacta é a sua ausência
Como a estátua dum deus
Poupada pelos invasores duma cidade em ruínas

Ele não ficou para assistir
À morte da verdade e à vitória do tempo

Que ao longe
Na mais longínqua praia
Onde só haja espuma sal e vento
Ele se perca tendo-se cumprido
Segundo a lei do seu próprio pensamento

E que ninguém repita o seu nome proibido."

Sophia de Mello Breyner Andresen

Sunday, July 18, 2010

A vida tal como ela é

Quem nunca deu por a pensar consigo próprio 'ai se não tivesse feito isto...' levante a mão! Sim, já todos passámos por aquele momento de auto-flagelação em que percebemos que metemos a pata na poça... e já é tarde demais. Aí juramos ao nosso ser interior que jamais cometeremos tal erro.

Eu costumo dizer aos meus amigos que têm filhos que o maior desafio da parentalidade é aceitar o crescimento das crianças, controlando o ímpeto (natural) de os andar sempre a proteger. É que as pessoas precisam de aprender com as quedas. Aprender não só as lições de vida que essas quedas dão, mas também a levantar-se do chão.

É este conselho que ando a tentar aplicar na minha vida. Não vale a pena pensar demasiado nos atos. Não é por analisar, minuciosamente, cada situação que se evita uma queda no futuro. Os maus momentos, as más escolhas e os erros fazem parte das nossas vidas (e todos os vamos cometer).

Não existem preservativos que nos protejam das amarguras da vida. A vida é para ser vivida tal como é. Com o bom e o mau a correrem lado-a-lado.

Saturday, July 17, 2010

Estado de espírito#8



Verdes são os campos,
De cor de limão
Assim são os olhos
Do meu coração.

Camões

Friday, July 16, 2010

Sunday, July 11, 2010

So true...


"There will be little rubs and disappointments everywhere, and we are all apt to expect too much; but then, if one scheme of happiness fails, human nature turns to another; if the first calculation is wrong, we make a second better: we find comfort somewhere."

Mansfield Park, Cap. V, de Jane Austen

roubado daqui.

O que será que será

O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza
Será que será
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será que será
Que vive nas ideias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o padre eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo

Chico Buarque

E depois... ficamos bem

Dizem que é o primeiro desgosto que nos marca a vida. Eu acho que é a primeira canalhice que se torna o "ponto zero" das nossas vidas, aquele sinal imaginário a partir do qual medimos se é bom ou mau tudo o que nos fazem.

E assim vamos vivendo e convivendo com os que nos rodeiam. Sempre a achar que A e é melhor que B e que C não é tão bonzinho como parece, já que, o D afinal é muito melhor. Tudo isto nos enriquece, nos ensina. Umas vezes dá-nos medo e faz-nos recuar. Outras incentiva-nos a colocar o pessimismo em segundo lugar.

Mas o melhor de tudo vem quando vivemos as coisas sem medo. Sem medo de saber como vão acabar, sem medo de perder ou ganhar o que quer que seja. Sem medo que se repita a tal canalhice que nos marcou. Talvez melhor ainda seja chegar ao fim das etapas e ver que se está bem.

Friday, July 09, 2010

Desgosto pela vida dos outros

A minha definição preferida de inveja é a que vem no dicionário da Priberam.
"Desgosto pelo bem alheio."

Por mais que me custe ver este desgosto pela minha forma de estar de "bem com a vida", ainda deve ser mais lixado ter de a sentir. Deve ser duro ser uma pessoa assim pequenina com uma vidinha de merda. Lá está, a inveja é uma coisa fodida.

Monday, July 05, 2010

Começámos com um post

Um texto provocado por um choro de bebé no voluntariado. Um gosto e desejo em comum. Chá para aqui, chá para ali comecei a referir-me a ela como a minha amiga Clara.

Estive lá num dos dias mais especiais da vida dela. Foi com orgulho que, num jardim cheio de sol, a vi jurar amor. Nada que eu não soubesse, mas mesmo assim os gestos de ternura e amor não deixam de me emocionar e enternecer.

À distância percebo o GRANDE amor que ela está a viver, o da maternidade. Quando leio o que ela escrever e vejo as fotografias que têm com a filha sinto a sensação de estar eternamente apaixonada. Fico feliz. Sim, a imagem da felicidade das minhas pessoas também não deixa de me fazer feliz.

Mas dana-me que tudo seja à distância. Dana-me não ter tempo para me meter num avião e voar até São Miguel. Dana-me que goste tanto da bebé e ainda não lhe tenha pegado ao colo. Dana-me tanto que, na maior parte dos dias, escondo o sentimento da saudade.

O único consolo é a esperança do momento que a distância se vai quebrar.

Para a C. e para a I.

Saturday, July 03, 2010

Queridos nativos, europeus e americanos que passam férias ou trabalham em resorts,

Então é assim: nem todas as mulheres que vão sozinhas ou com amigas passar uns dias de descanso à beira-mar andam à procura de sexo ocasional.

Obrigada por se mostrarem interessados, mas em primeiro lugar não é obrigatório ser-se solteira e mal amada para se ir de férias com as amigas. (Só para esclarecer as coisas eu sou solteira, no entanto faço intenções de continuar a ter férias with my girls se algum dia esse estado civil se alterar)
Em segundo lugar - e por muito difícil que seja difícil de acreditar -, as pessoas podem gostar de se divertir, de dançar, rir e beber um copo sem segundas intenções.
Para terminar, sim é possível ir de férias para descansar, apanhar banhos de mar, banhos de sol, conhecer uma cultura nova e estar no dolce fare niente com aqueles de quem gostamos.

E pronto é isto!

Cabo Verde em imagens (só assim para fazer inveja)






E se Portugal fosse uma província espanhola...*

...
- Os voos para Menorca passariam a ser internos e daí diários;
- Teríamos um salário mínimo de quase 700 euros;
- Haveria mais supermercados do El Corté Inglés, sítio onde se podem comprar os melhores tampões do mundo;
- Éramos campeões da Europa;
- Férias mais baratas em todas as ex-colónias espanholas, uma boa parte delas fica nas Caraíbas;
- O Prado era um museu nacional;
- Tínhamos 3 Óscares no país;
- Custo Barcelona era uma marca nacional, logo mais lojinhas espalhadas pelo país
e como Espanha é uma monarquia a possibilidade de um dia nos casarmos com um príncipe

*post irónico (para quem não percebeu)

Diário da casa nova#5

Só quero aqui dizer que mobilar e decorar uma casa nova é uma árdua tarefa. Bem árdua!

Todos somos várias pessoas

Cruzei-me esta semana na rua com um escritor conhecido da nossa praça. Habituada à imagem de galã da referida personagem fiquei surpreendida com a conversa que o ouvi ter ao telefone.

De telemóvel em punho e aliança grossa e reluzente, que se destacava num look casual de fim-de-semana, dizia a alguém do outro lado da linha que não se tinha esquecido das salsichas para a filha mais nova e que ia buscar o mais velho e o do meio à escola. A conversa decorria com a terceira mulher que estava a preparar o fim-de-semana prolongado com os enteados, frutos de duas anteriores relações do escritor.

Não resisti a fazer um ar de espanto, do género "mas-tu-também-tens-preocupações comezinhas-e-tratas-das-tuas-crianças-e-até-te-passas-ao-telefone
-com-a-tua-mulher-como-se-fossem-assim-um-casal-normal?!"
É que sempre o tinha visto como um escritor mulherengo, livre e sem compromissos. E se calhar ele até é assim. Mas também é mais do que isso. Além de homem é pai, companheiro, filho... E em poucos segundos o impacto daquele encontro imediato fez-me pensar na quantidade de papéis sociais que representamos na vida.

Eu sou mulher, jornalista, filha, amiga, tia. Sou uma só Carolina, mas as minhas diferentes tarefas podem-me fazer parecer diferentes Carolinas...

Sunday, June 27, 2010

Será sempre este o verbo mais difícil de conjugar

Entregar
v. tr.
1. Pôr em poder de (outrem).
2. Restituir.
3. Dar posse de.
4. Confiar.
5. Trair.
6. Abandonar.
v. pron.
7. Render-se.
8. Dar-se inteiramente a.
9. Deixar-se dominar por.
10. Confiar-se.
11. Tomar posse de; tomar conta de.

in Priberam

Regresso

Está tudo pronto para amanhã. Com os anos habituei-me a deixar de ter dores de barriga nos dias de regresso. O regresso ao trabalho, às rotinas, às saídas com os amigos, aos mimos da família, no fundo à vida de todos os dias.

Se dantes chegava sempre com o coração cheio de saudades dos dias de lazer, agora encaro tudo com naturalidade. Afinal, a vida é um enorme ciclo e daqui a umas voltas voltarei de novo ao descanso. Até lá, farei tudo para que a vida me continue a saber bem.

Amanhã vou andar assim... o dia todo!!!

Uma semana "cheia" de Cabo-Verde

Começámos logo bem a fazer o check-in na fila errada. Depois de conseguirmos despachar as malas o espírito das férias começou a tomar posse nós, em plena cafetaria do Harrods.

Quando aterrámos no Sal deixámos a Morabeza a invadir-nos. E pronto começaram as férias. Muita praia, milhares de risos, uma viagem marcante à Cidade da Praia e ao Tarrafal, fins de tarde tendo o mar de Cabo-Verde no horizonte, muita dança africana, várias pessoas que tocámos. No fim, a doce sensação de equilíbrio entre o descanso e o conhecer outro mundo diferente.

Foi assim Cabo-Verde, na companhia de uma grande (e nova) amiga.

Para L.

Thursday, June 17, 2010

Stress pré-férias

Esta sexta vou ter as primeiras férias do ano. Uma semana em Cabo Verde na companhia de uma boa amiga.
Apesar da semana só ter quatro dias ainda não tive um segundo descanso. Entre o trabalho a deixar preparado, organizar as coisinhas todas para levar e o tentar ter 5 segundos de vida normal, não parei. De tal forma que a minha depilação (essencial para uma mulher que vai para a praia) começou às 10 da noite e acabou já depois das 11... Os protectores foram comprados a meio de um almoço (com excelentes companhias femininas). A mala está por fazer e amanhã trabalho até tarde. Isto promete.

Tuesday, June 15, 2010

Coisas bonitas da Amizade#4

ficar feliz quando outra pessoa vê, finalmente, a luz (justa) ao fundo do túnel. por mais que a amizade seja recente.

Epifania do dia #1

Não preciso de ir atrás dos problemas, eles vêm directamente ter comigo.

Amanhã prometo acordar assim

Sair do lugar seguro

Todos nós temos um lugar seguro. Aquele sítio onde estamos confortáveis e onde sabemos que ninguém nos vai magoar. Na maior parte dos dias compensa.

O problema é quando percebemos que a vida não é feita para lugares seguros. E aí entramos em debate com o Medo (sim o Medo com maiúscula). Os meus debates com ele costumam ser sempre longos. Peso na balança as vantagens e desvantagens de sair do tal lugar seguro. Meço os caminhos que terei de fazer. Oiço mil uma vozes. Até que a minha voz interior se manifesta. Há que dar o passo para o vencer.

É que a vida não foi feita para ser passada ao lado. Há dias comecei a vencer o tal Medo e... sabe tão bem...

Diário da casa nova #4



Sempre que vou à casa nova sento-me e sinto-me assim.

Pequenos gestos que dizem tudo

Tenho uma amiga que me diz que quando estou numa determinada fase de espírito mexo no cabelo de uma maneira especial. Nunca lhe costumo dar crédito.

Hoje, quando passava em frente ao espelho, vi que estava a fazer o tal gesto.

Sunday, June 13, 2010

Foi bonita a festa, pá

Entalada no meio da multidão nunca senti o vento frio que correu estes dias por Lisboa. A noite começou com uma vista fantástica da cidade ao jantar. Parei em muitas capelinhas, soltei gargalhadas, dei vários pezinhos de dança e vivas ao Benfica. Multipliquei abraços pelos amigos. No fim, quando as pernas me começaram a dizer que já não dava mais, trazia um sorriso enorme na cara. Na mente, a imagem fantástica de uma Lisboa que amanhece linda...

PS: Não preciso de gostar nem de sardinhas nem de música pimba para gostar dos Santos Populares.

Thursday, June 10, 2010

Um amor que não acaba nunca

Queria só partilhar convosco um comentário que a minha mãe deixou neste post e me pôs com a lagrimita no canto do olho. Há amores que nunca acabam.

O levantar de um voo é uma alegria para os pais, ainda que te julguem bebé (sobretudo o papá, mas é normal, és filha única).
Sou excêntrica, mas, juntamente com o papá, tão mais sereno, acho que conseguimos precisamente transmitir-te a ideia de que o equilíbro também pode ser feito de saudáveis "desequilíbrios".
Seria horrível se fôssemos tão certinhos, tão iguazinhos, não achas? Hoje, estarias muito menos preparada para levantar voo.
O nosso aeroporto tem o teu lugar reservado, pronto para as aterragens que decidires. Sempre e quando quiseres.
Nós vamos continuando a namorar, não deixando de seguir o concretizar dos teus sonhos.
Não és uma filha do acaso, foste muito desejada, só desejamos que continues a dar-nos o carinho e amor que nos tens dado. Na plateia do teu coração, poderá haver lugares a subir e a descer, mas nós queremos lugares cativos.
Felicidades na casa nova! Beijinhos dos papás da filha mais querida do mundo.

Wednesday, June 09, 2010

Fim-de-semana de quatro dias

Ainda em estado de choque com o assalto aos jornalistas na África do Sul, rendo-me à evidência de que não vale a pena trabalhar nas semanas pequeninas como esta. Vou tirar um fim-de-semana de quatro dias.

Sentir-se bem na própria pele

Era uma sexta-feira em que toda a gente estava ocupada. Pela primeira vez, em três semanas, preparava-me para entrar de fim-de-semana.

Ao fim de algumas negas dos amigos mais próximos, completamente justificadas, decidi que o facto de estar sozinha não me devia impedir de fazer o que queria com aquele tempo livre.

Despi o preconceito e entrei no restaurante. "Queria uma mesa para uma pessoa, por favor", pedi convictamente. "Mesa só para um?" respondeu o empregado.
Confirmei a minha decisão, de novo com ar convicto, e ele lá acabou por me satisfazer o pedido, apesar do ar de pena.

No restaurante lá se levantaram um ou outro olhar de lado para me deitarem um "lamento por estares sozinha".

Ignorei. Paguei a conta e continuei o meu just for one night out. Próxima paragem: cinema. O mesmo ritual: "Bilhetes para quantas pessoas?"

"Sim é só mesmo para uma", respondi. Chego à sala para ver o filme e em vez de olhares de pena, reparo que não sou a única pessoa sem companhia...

A noite acabou por ser tranquila. É que antes de estarmos bem com outra pessoa, precisamos de estar bem connosco.

PS: Este post já tem uns meses

Sexo e a cidade 2


Já vi duas vezes. É verdade. É o que dá ter diferentes grupos de amigas pela frente tenho ainda, pelo menos, mais duas sessões.

Gostei. Sim, nada daquilo se pode passar na vida real. Sim, elas não estão muito preocupadas com a crise. Sim, ninguém anda de saltos altos em pleno deserto. Blá, blá, blá. Lamento, mas a série também era assim, por isso estranho a onda de críticas ao filme. É que ao longo de seis anos, elas sempre fizeram uma vida impossível para uma mulher com aquelas profissões. À excepção da Miranda, nenhuma das outras se dedicava, completamente, ao trabalho. Enfim...

O Sexo e a Cidade é para entreter. E nisso é bom.

Desgracei-me na Zilian


O dia tinha sido longo e cansativo. Ali ao lado estava marcado um compromisso. Cheguei dez minutos antes e pensei que não fazia mal nenhum dar um salto à Zilian para descontrair (eu já tinha visto a loja online, mas nunca tinha lá ido). Quando, de repente, dou por mim já tinha largado a mala a um canto e anda furiosa à tentar encontrar sapatos que me servissem. Em 15 minutos arranjei desculpa para ter necessidade de comprar cinco pares de sapatos... E pronto. Estão feitinhas as compras deste mês.

Sunday, June 06, 2010

Leituras de fim-de-semana

Só para provar o que dizia aqui, que uma mulher consegue ter vários interesses distintos, deixo-vos a minha lista de jornais e revistas comprados este fim-de-semana:
- Expresso (pois claro!)
- El País (já se tornou um hábito ao domingo, durante a semana sinto-me bem com a edição na net)
- Sábado (ainda não tinha lido a entrevista da filha do Cunhal)
- Casa Cláudia (é que tenho uma casa para decorar)
- Vogue (nem preciso justificar...)
- Volta ao Mundo (idem)
- Evasões (uma estreia)
- Time Out (outra das obrigatórias)

Apaixonada pela massagista

Depois de me ter encontrado com o Cristiano Ronaldo em pleno ginásio - ontem eu estava muito sossegada a treinar quando o rapaz e os colegas me entram na sala de exercícios - segui para o SPA do Clube L.
Tinha pedido uma massagem adelgaçante de uma hora. Mas quando a senhora me vê despida pergunta passa-se o seguinte diálogo:

Massagista: "Quer a massagem onde?"
Eu: No rabo que está cheio de celulite.
Massagista: "Não vale a pena, é que celulite em si só vejo quando aperto as coxas.
Eu: E se for na cintura?
Massagista: Na cintura? Aí é que você não tem mesmo gordura.

E pronto. Fiquei assim a modos que em êxtase. Feliz da vida. Radiante. Completamente apaixonada:)

PS: Para informação de toda a gente eu, como todas as mulheres, tenho celulite. Mas ontem percebi que se calhar não era assim tanta.

Saturday, June 05, 2010

Desabafo quase em ponto de ebulição

Eu amo, adoro, fico excitada quando uma pessoa daquelas que têm a mania que são mais espertas e melhores que os outros todos (tipo a personagem principal do último filme do Woody Allen) é apanhada na curva... por mim... e... por todos os outros que têm dois olhinhos na cara.

Diário da casa nova #3



Entrega. É esta a palavra chave para quem toma o passo de ir morar sozinho. Como eu. Sem amigos ou família. É entregar-se a uma nova vida, onde não há certeza alguma de que um dia a casa vá ser ocupada por duas pessoas. Não é o mesmo que fazer planos de futuro com a cara-metade. Quem se muda a dois também se entrega, mas sobretudo partilha.
E desculpem lá, mas isso exige coragem. Fico contente de a ter.

Brinde



Um brinde feito a três mãos que nunca pensaram cruzar-se. As almas que os seguram foram-se juntando com as vicissitudes do trabalho. Aos poucos, lá foram quebrando as barreiras e recolhendo os cacos que ficam sempre nos caminhos profissionais. E entraram, devagarinho, na pele umas das outras. A Amizade também se conquista assim. (o quanto isso é bom...)

Para L. e R.

PS: Faltavas lá tu.

Coisas bonitas da Amizade #3

ouvir. às vezes só isso basta.

Thursday, June 03, 2010

O tanto que os meus sapatos dizem de mim...

é feriado e estou a trabalhar. não vim maquilhada e trouxe as calças de ganga mais largas e confortáveis que tinha no armário lá de casa. apesar do ar casual, vim de saltos altos. e com isto I rest my case.

Todos os dias*


Todos os dias acordo às 6 da manhã. Em três desses dias vou ao ginásio. 1h30m de exercício, mas meia hora para passar creme pelo corpo e maquilhagem na cara. (Já não me consigo ver sem eles)

Às 9 estou a trabalhar, numa jorna que nunca acaba antes das 22 horas. Pelo meio um almoço com amigas ou uma sandes, mas sempre a correr. O destino é incerto, varia consoante o que tenho em mãos para fazer. Uma das melhores coisas do meu trabalho é que não tem rotina. Um dia fico 10 horas em frente a um computador, no outro passo o dia a correr numa qualquer auto-estrada do país.

Depois das 22 vêm os compromissos sociais. Altura para compensar as horas de trabalho. Tango, alemão, árabe, voluntariado, tentar ser um bocadinho mais do que a profissão. Num instante os raros momentos de folgas enchem-se a tentar ver a família e os amigos de quem a vida me obriga a estar (demasiado) distante.

Quando chego a casa e pouso as chaves no móvel da entrada sei que a rotina ainda não acabou. Há uns quaisquer capítulos para ver, um texto para escrever, uma biografia para pesquisar, mails para responder.

Antes de me deitar limpo, religiosamente, a pele. Lavo os dentes e volto a passar creme pelo corpo. Só me aninho nos lençóis depois de escolher a roupa, os sapatos, a mala e os acessórios para o dia seguinte.

Durmo 4horas por dia. Várias vezes penso que vale a pena o esforço, ou será que um dia vou acordar e pensar 'para quê?' Será que no fim terei na memória a Primavera da vida?...

* inspirado aqui.

Tuesday, June 01, 2010

Primeiro dia de Junho

Decido desligar o ar condicionado do carro para levar com a leve brisa de Verão. O dia está quase a chegar ao fim. Foi longo. Mesmo com as pernas cansadas calcorreio a calçada portuguesa, cheia de altos e baixo, para chegar a casa.

O cheiro a obras ainda impera no prédio, mas à medida que vou entrando as luzes vão iluminando o caminho até ao primeiro esquerdo. Só lá fui imaginar como será daqui a umas semanas...

Por uma brecha da janela da cozinha entra a luz que sobra de um dia de calor. Encosto-me entre a cozinha e o corredor. Mil e uma ideias correm na minha cabeça. O essencial está definido. Foi a primeira vez, no primeiro dia de Junho. Um dia sempre acompanhado pelo calor.

Diário da casa nova #2



Primeiros passos numa nova vida. Soube bem.

Equilíbrio

Toda a vida a balança pesou mais para o vosso lado. As fases da vida que me trouxeram à vida adulta foram sempre um carrossel de emoções com histórias, aventuras, sabores e dissabores.

Com o tempo, as coisas começaram a ficar mais equilibradas. A vida encarregou-se de nos colocar batalhas e provações. Isso muda uma pessoa. Faz crescer. Acho que hoje já tomamos todos conta uns dos outros.

A verdade é que, mesmo quando a balança só pendia para o vosso lado, partilhámos tudo. Sem dúvidas de que estaríamos cá para ampararmos as quedas uns dos outros.

No dia em que a vida muda - sim eu sei que ela muda todos os dias, mas hoje muda mais -, levo nos caixotes o bom senso, a solidariedade e a capacidade de amar que vocês me ensinaram.

Coisa que gosto/ É poder partir/ Sem ter planos/ Melhor ainda/ É poder voltar/ Quando quero

Parto para voltar sempre que não conseguir controlar os afectos.

Este post é para a minha mãe e para o meu pai.

Coisas bonitas da Amizade #2

saber esperar pela altura ideal de dar um grito de alegria.

Sunday, May 30, 2010

Sim é verdade, eu tenho um cérebro


Em conversa com uma amiga ela conta-me que um amigo do namorado ficou muito surpreendido com a minha profissão. Motivo?! Parece que a dita personagem não estava à espera que eu tivesse inteligência para - pasme-se - ser jornalista.

"O quê aquela boazuda da saia curta?!" Exclamou o jovem rapaz. Ao que parece uma mulher que gosta de andar maquilhada e de saltos altos não tem direito a ter cérebro. Parece a eterna questão de que uma mulher inteligente é burra e a feia inteligente.

Ora bem, eu sou daquelas pessoas com mentalidade do século XXI, criada numa casa onde homem e mulher sempre estiveram ao mesmo nível. Onde me ensinaram que não se julga as pessoas, muito menos pela aparência. "És aquilo que fizeres com a tua vida. E podes fazer muito", cresci a ouvir isto.

Cedo me apercebi com a minha mãe que é possível ser bonita, inteligente, boa profissional e boa mãe. Talvez venha daí esta mania irritante de que a maquilhagem, as saias curtas e os saltos não são sinónimo de burrice.

Sim meus caros, é possível que uma mesma mulher tenha vontade de ler a Vogue e o New York Times. De ir um dia às compras e no outro a um concerto de música clássica. Que se interesse por maquilhagem e por política. Que conjugue a roupa e consiga fazer uma reportagem decente.

Diário da casa nova #1



Comprei isto hoje, por impulso, em pleno CCB. É a primeira coisa que compro para a casa nova. Vai ficar no escritório/closet/espaço dos sobrinhos. Foi um coup de coeur.

Mimos ao papá e à mamã

Normalmente é ao contrário. Mas como também sei ser uma pessoa bem querida, hoje trouxe-lhes um presentinho. Tuesdays with Morrie para a senhora. O novo livro do Carlos Brito sobre o Cunhal para o senhor.

Agora, estão os dois contentinhos a ler as respectivas obras. (Ai que eu sou tãaao amorosa)

Depois de menos 16 quilos um fim-de-semana de calorias:

- uma pizza Casanova
- vodka preto com sumo de limão
- febras com esparregado (sem natas, vá lá)
- um frapuccino de Moka (adoro esta maneira chique de dizer café)

E foi isto. Valeu-me o almoço vegetariano de sábado e dois dias seguidinhos de ginásio.

Ele perguntou. Ela disse sim #1



A nossa Nokas vai deixar o clube das solteiras. Eu, que já conheci o rapaz, percebo o encantamento. Vai correr tudo bem:)

E não é que às vezes sou sexy sem saltos altos?!*




* ou Estou tão apaixonada pelas minhas melissas

Saturday, May 29, 2010

O que eu já sei que um homem nunca fará por mim

Cada um é para o que nasce. Adoro a simplicidade desta frase. Há coisas sobre as quais não há volta a dar. Desde o momento em que aceitei o destino das minhas escolhas em determinados campos da minha vida, que sou uma pessoa muito mais feliz.

Estou portanto, completamente, mentalizada para não ter aquelas simpáticas "patetices" da paixão. Não há volta a dar. Cada um é para o que nasce. Mas eu vivo bem com isso.

Assim fiz uma listinha com as coisas que eu já sei que um homem nunca fará por mim. Para ser tudo muito explícito - e porque o que acontece no cinema, no cinema fica -, cá vai a coisa por tópicos:

- Receber flores no trabalho, seja em que ocasião for. Aqui ainda ponho a hipótese de um dia alguém me chegar a casa - impulsionado por uma opinião feminina -, no dia dos meus anos com um ramito. Fora isso, já estou mentalizada que se quero flores vou ter de as comprar. Que chatice... sempre são mais umas voltinhas em Campo de Ourique aos sábados de manhã.

- Receber um vestidito ou uns sapatinhos assim do nada. Assim como assim a maior parte dos homens tem mau gosto... Portanto não ia conseguir nem usar os trapos nem dizer que não gostava.

- Uma viagem com o único objectivo de fazer um pedido de casamento/namoro/vem-viver-comigo. Tanto (o também vem acompanhado de um ligeiro movimento de abanar os ombros) se me dá como se me deu. É que se há certeza que tenho na vida é que viajar... isso eu vou fazer sempre;)

- Companhia para ir às compras. Cidadãs dos mundo que visitam este blogue não se iludam. Os homens não querem saber para nada do que nós vestimos. Daí que meterem-se a entrar e a sair de lojas não seja grande atractivo. Mas quem é que quer andar com alguém obrigado atrás a queixar-se o tempo todo e sem capacidade para dar bons conselhos? hum... Quem?

- Desistir de qualquer coisa entusiasmante por um programa mais cozy a dois. Não faz mal, eu também não gosto de abdicar do que é importante para mim. Conciliam-se as agendas. Afinal, amigo não empata amigo.

- Dedicarem-me uma música ou poema em público. Pois... mas coisas melosas também não são muito bem a minha praia. Já fico contente com um linkizinho do YouTube.

- Programas assim daqueles fofinhos. Do género este fim-de-semana fazemos tudo o que tudo quiseres. Obrigada, mas eu tenho amigos e família, sei bem divertir-me.

Ser sexy em saltos altos é... #1




Trabalhar 16 horinhas por dia em cima destes bonecos!

PS: Esta foto foi tirada já de madrugada, em plena redacção, a finalizar um dia de trabalho que começou às 9 da manhã.

Friday, May 28, 2010

Uma coisa assim ... muita especial

O dia já vai longo. Engolir a correr uma espécie de jantar são os únicos 30 minutos que tenho para estar com uma amiga. Entre as garfadas e no meio da bonita conversa 'ai como eles nos sabem dar a volta tão bem' ela sai-se com esta: "às duas por três já estás naquela de que vocês têm uma coisa muita especial".

O ar sério e zangado dela contratava com os meus risos. Mas à medida que voltava ao meu estado normal percebi como a seta atingiu este alvo. É verdade. As mulheres são todas iguais, nós damos a volta aos nossos mundos para encontrar semelhanças com aquela pessoa... especial(?) E num abrir e fechar de olhos julgamos que vemos o outro lado de alguém. E aqui volto às palavras da minha amiga: "Nós não vemos outro lado, porque eles não têm outro lado".

Na realidade, qualquer homem pode ser boa pessoa/bom cozinheiro/ter bom gosto musical/ser um grande cinéfilo/escrever um livro/plantar uma árvore/ter filho e até - pasme-se -, gostar de crianças que isso não o impede ser um traste com as mulheres. Ou pelo menos connosco. Tudo tranquilo. Desde que se tenha consciência disso.

Thursday, May 27, 2010

They're back!

Volta e meia apetece-me publicar aqui este poema*

É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

Pablo Neruda


*Não se preocupem caros cidadãos e cidadãs do mundo que visitam este blogue, eu não estou apaixonada. Apenas me deu vontade de ter aqui uma coisita de um senhor por quem eu me apaixonei aos 15 anos... e esta "relação" está a durar mais que o previsto...

Coisas bonitas da Amizade I

ficar feliz pela (honesta) felicidade de outra pessoa, quando se tem a certeza que nunca se provou (nem provará) do mesmo bem.

Para A.

Sunday, May 23, 2010

Pensamento do dia...

... Depois da primeiríssima experiência no Rock in Rio percebi que os portugueses estão cheios de saudades da Feira Popular. É que, afinal, passa pela cabeça de muita gente pagar 60 euros para ficar nas filas... das diversões...

Persistência

Fui criada a admirar a resistência. Talvez essa tenha sido a maior marca de infância que me ficou para a vida.

Mudei, ligeiramente, o verbo e persisti várias vezes em coisas que pareciam (ou me pareciam) uma derrota à partida. Venci algumas guerras, perdi outras quantas batalhas. Mas mesmo as que foram perdidas - e por maior que tenha sido a dor causada -, acabaram por trazer qualquer coisa que até se pode chamar de vitória.

A vida não é fácil. Nem transparente. Não se pode olhar para uma pessoa, aparentemente, bem para acreditar que tudo corre pelo melhor. Por isso, é que persistir, resistir ou não desistir é fundamental. Por maiores que sejam as contrariedades.

Thursday, May 20, 2010

Pensamento

Parto para a guerra
com os olhos na paz.

É terça-feira. Sérgio Godinho

Wednesday, May 19, 2010

Coisas que NUNCA se fazem numa relação:

Ok, a minha experiência não é muita. E sim, eu sei que não há regras no amor. Whatever works já dizia o Woody Allen. E é bem verdade... Mas cidadãs do mundo que visitam este blogue, aqui vai uma listinha (por tópicos que é para ser tudo bem claro) de coisas que não se fazem NUNCA numa relação:

- Não se desmarcam compromissos pessoais para ir a correr jantar com o homem por quem estamos interessadas

- Não se desiste de actividades, interesses, projectos ou planos de qualquer espécie por causa da outra pessoa

- Não se é ciumenta (ponto final parágrafo)

- Não se pede à outra pessoa que deixe de falar, de se relacionar com gente de quem não gostamos, ou que deixe de praticar qualquer actividade, ou que deixe de ter qualquer plano, extremamente importante, só porque nós não o aprovamos

- Não se perde a sensualidade (é preciso explicar mais?)

- Não se fazem planos para o futuro no começo... Mesmo na fase estável é preciso ter cuidado. O mais importante é contarmos sempre e só connosco

- Praticar ao máximo o lema: SE QUERES TENS DE CÁ VIR BUSCAR