Sunday, December 03, 2006

A vista do outro lado

Na vida é normal ter-se medo. No começo de uma etapa a esse medo junta-se a insegurança. E tudo junto faz-nos ter, ainda, mais medo em ultrapassar os objectivos. Mas, há momentos em que temos de nos enfrentar a nós próprios. E quando isso acontece e se supera a insegurança e o medo, a vista do outro lado é qulaquer coisa de fantástico. Simplesmente...

Friday, December 01, 2006

Sim

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"










Dia 11 de Fevereiro.

Monday, November 27, 2006

Para limpar a alma

Em todas as ruas te encontro

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

Mário Cesariny

Saturday, November 25, 2006

Virar a página

Apesar de já ter passado muito tempo a memória dela ainda continuava agarrada ao passado. À habitual atitude de pensar no que... podia estar a acontecer naquele preciso momento.
Um dia desceu a rua, como sempre, viu a tal fotona primeira página do jornal. Pensou dois segundos. E voltou a página. Completamente.

Tuesday, November 21, 2006

Estado de Espírito II

Meredith Grey: We're adults. When did that happen? And how do we make it stop?

Nostalgie

Para J.

É engraçado ver, pela primeira vez, o nosso tempo passar através de alguém. Nestes últimos três meses já consigo comparar os nossos caminhos. E tenho tantas saudades....

Wednesday, November 01, 2006

Lança Perfume

lança menina , lança todo este perfume
desbaratina não dá pra ficar imune
ao teu amor que tem cheiro de coisa maluca
Vem cá meu bem, me descola um carinho
Eu sou néném, só sossego com beijinho
Vê se me dá o prazer de ter prazer comigo
Me aqueça
Me vira de ponta cabeça
Me faz de gato e sapato e...
Me deixa de quatro no ato
Me enche de amor, de amor
Lança, lança pefume
oh oh oh oh lança, lança perfume
Lança perfume....

Rita Lee

Estado de Espírito I

As raízes enfiam-se na terra, contorcem-se na lama, crescem nas trevas; mantêm a árvore cativa desde o seu nascimento e alimentam-na graças a uma chantagem: «Se te libertas morres!». As árvores têm de se resignar, precisam das suas raízes; os homens não.
Amin Maalouf, Origens

Sunday, October 29, 2006

OBRIGADA!



"Estive 70 dias na frigideira. Um bloco de cimento, sem entradas de luz, com um único buraco para respirar e comer. Ali, fui sujeito às mais atrozes torturas e espancamentos. A temperatura interior chegava aos 50 graus. Apanhei tuberculose e perdi mais de dez quilos." Edmundo Pedro, preso em Peniche aos 15 anos e enviado para o "campo da morte lenta" aos 17.

A todos os que arriscaram a vida pela minha liberdade:

MUITO OBRIGADA!

FASCISMO NUNCA, NUNCA MAIS!

Saturday, October 28, 2006

O meu canto

Gosto de chegar a casa. De tirar a capa diária e ficar à vontade. Sem a "pose" de julgamentos mediáticos, de parlamentos ou de conferências de imprensa.

Todos os dias sinto o mesmo entusiasmo a sair de casa. O não saber-bem-o-que-é-que-me-espera, mas sabe tão bem voltar. E ficar almofadada em tanto carinho... sabe tão bem...

Monday, October 02, 2006

Momentos Íntimos (I)

- Arrumar gavetas -

Não deve existir nada mais pessoal no meu quarto do que as minhas gavetas. Ontem tive coragem e decidi-me a "mexer" nelas. Mais do que papéis ou simplesmente lixo, encontrei bocados de passado espalhados ao acaso.
Pelos papéis viajei até à minha dolescência, aos anos de faculdade, a aniversários e Natais passados. Lembrei-me dos medos e vontades que tinha na altura. Do pensamento que tinha para mim aos 23 anos.

Arrumei, finalmente, as gavetas. E comecei também a viver em harmonia com o passado, e a ideia que tinha de futuro na altura.

Tuesday, September 19, 2006

23 anos

Carolina
Nos seus olhos fundos
Guarda tanta dor
A dor de todo esse mundo
Eu já lhe expliquei que não vai dar
Seu pranto não vai nada mudar
Eu já convidei para dançar
É hora, já sei, de aproveitar
Lá fora, amor
Uma rosa nasceu
Todo mundo sambou
Uma estrela caiu
Eu bem que mostrei sorrindo
Pela janela, ói que lindo
Mas Carolina não viu
Carolina
Nos seus olhos tristes
Guarda tanto amor
O amor que já não existe
Eu bem que avisei, vai acabar
De tudo lhe dei para aceitar
Mil versos cantei pra lhe agradar
Agora não sei como explicar
Lá fora, amor
Uma rosa morreu
Uma festa acabou
Nosso barco partiu
Eu bem que mostrei a ela
O tempo passou na janela
Só Carolina não viu

Chico Buarque 1967.

Sunday, September 17, 2006

Envia um capacete azul para Darfur

O conflito étnico no Sudão entre as forças governamentais apoiadas pela milícia janjaweede e os grupos rebeldes está prestes a tornar-se no primeiro grande genocídio do séc. XXI.
Por isso a ONU decidiu enviar caapcetes azuis para o território em substituição da força da União Africana. Mas, o governo sudanês considera esta situação um acto de "colonização".
A AI está a lançar uma campanha - Envia um capacete azul- para pressionar o envio das forças de paz. Participa aqui.

Primeiro Post

É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a águada fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luze sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feitade luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

Pablo Neruda