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Sunday, September 26, 2010

As amigas

No complicado mundo das relações há uma prova que, sem parecer, se torna a mais difícil de todas: passar no teste de aprovação das amigas. Sim, das amigas! Esqueçam os pais, os amigos, os ex-namorados que se tornaram grandes amigos, os filhos, os tios, os colegas, os irmãos, os chefes de trabalho. São as amigas as mais exigentes, as mais difíceis de agradar, as mais desconfiadas, as que vão levar mais tempo a acreditar.

Escrevo com conhecimento de causa. Houve um tempo, já distante, em que achei que os homens de algumas das minhas amigas não eram os mais indicados. Por mim, uma delas nunca teria tido o segundo encontro com a pessoa com quem está há quase três anos e que é um rapaz 5estrelas. Passei noites acordada a achar que outras mereciam homens melhores, que deviam experimentar mais da vida, que isto e aquilo. Levei tempo, demasiado porque hoje sou amiga destes rapazes, a aceitá-los. A acreditar que eles eram ‘o tal’. Isto tudo, sem que eles algum dia lhes tivessem feito algo grave!

Sou exigente como amiga. Quero o melhor para as minhas raparigas e qualquer homem que sonhe em fazer-lhes mal vai ter de se ver comigo. Odeio, e aqui é mesmo odiar, os outros homens, aqueles que as fizeram infelizes. Os que não lhes ligaram, os que lhes prenderam o coração sem dar nada troca, os que na realidade não gostaram delas o suficiente. Assim que tenha a mínima hipótese tratar-lhes-eis da saúde.

Elas também são assim comigo. Quando eu começo a divagar, e a desculpar tudo e mais alguma coisa chamam-me à terra. Lembram-me que também eu mereço melhor. Mostram-me a realidade da pessoa que me possa encantar. No fundo, dizem-me a verdade que eu oiço, baixinho, dentro de mim. Aquilo que eu já, mas que ganha outra força quando são elas que me dizem.

Mas ao mesmo tempo acreditam, muito mais do que eu, que há por aí uma pessoa especial. Dão-me mimos e juram-me que tudo vai ficar bem.

Elas estão sempre por aqui. Alerta. Exigentes. E não perdoarão a quem me partir o coração, afinal são sempre as mesmas que me colocam os cacos e fazem voltar ao mundo.