Para a C. e para o J.
"Que hei-de eu fazer
Eu tão nova e desamparada
Quando o amor
Me entra de repente
P´la porta da frente
E fica a porta escancarada
Vou-te dizer
A luz começou em frestas
Se fores a ver
Enquanto assim durares
Se fores amada e amares
Dirás sempre palavras destas
P´ra te ter
P´ra que de mim não te zangues
Eu vou-te dar
A pele, o meu cetim
Coração carmesim
As carnes e com elas sangues
Às vezes o amor
No calendário, noutro mês, é dor,
é cego e surdo e mudo
E o dia tão diário disso tudo
E se um dia a razão
Fria e negra do destino
Deitar mão
À porta, à luz aberta
Que te deixe liberta
E do pássaro se ouça o trino
Por te querer
Vou abrir em mim dois espaços
P´ra te dar
Enredo ao folhetim
A flor ao teu jardim
As pernas e com elas braços
Às vezes o amor
No calendário, noutro mês, é dor,
É cego e surdo e mudo
E o dia tão diário disso tudo
Mas se tudo tem fim
Porquê dar a um amor guarida
Mesmo assim
Dá princípio ao começo
Se morreres só te peço
Da morte volta sempre em vida
Às vezes o amor
No calendário, noutro mês é dor,
É cego e surdo e mudo
E o dia tão diário disso tudo
Da morte volta sempre em vida."
Sérgio Godinho
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Monday, September 24, 2007
Caminho
Há seis anos que o ritual é o mesmo. Tu de ténis e eu de saltos altos. Eu ansiosa, tu descontraída. Eu pessimista, tu optimista. (Ainda te lembras da metáfora do autocarro?) A verdade é que o caminho tem sido sempre feito lado a lado.Aos poucos fomos-nos entrelaçando na vida uma da outra. Devagarinho. Tu primeiro, eu depois. Ou terá sido ao contrário?! Desde o dia em que nos cruzámos no fim da frequência de pesquisa do 1º ano. Na altura, avisaram-nos que pessoas tão diferentes não podiam ser amigas. Era impossível.
Hoje, ocupas um lugar especial na galeria dos amigos. Fazes parte das memórias dos meus dias mais felizes, aconteça o que acontecer. (Não é também isto o amor?)
Por isso, venham de lá as alegrias e as tristezas. Os dias bons e os dias maus. Estou contigo para o resto do caminho.
Para a C.
Etiquetas:
Amizade,
Catarina,
Memórias dos dias mais felizes
Lembrar os momentos que nos marcaram I
(Um post para a C.)
Acalma-me acreditar que os que partem vão para um lugar melhor, deste onde nos encontramos.
A imagem da perda é muito dura. Não consigo pensá-la como um fim. Antes o começo de uma qualquer etapa, que eu não sei como é.
Quando passam os meus dias de Alberto, e a minha procura por uma verdade definita e perfeita, procuro os que partiram.
Encontro o meu avô nos desenhos animados que víamos juntos. Sei que está sempre sentado na ponta do sofá, pronto para me contar uma história.
A minha bisavó Cença passeia-se pela casa, como se marchasse. Ficou-lhe o hábito da infância, por ter sido criada por um republicano. É sempre ela que abre a porta quando ajudamos alguém.
Todos os dias oiço o barulho do meu avô Carlos a escrever à máquina. O pai dele é a pessoa de cachimbo, que anda sempre carregada de livros, a discutir um mundo diferente.
O meu trisavô vive nas memórias da República. É esse princípio, o de um estado laico e igualitário para todas as classes, a origem das nossas ideias cá em casa.
Sei que sempre que caio me amparam as quedas. Estão sempre aqui. Ao pé de mim.
A tua avó continua aqui. Continua na tua mãe, em ti, e no teu mano.
Está presente nos hamburgos, no “ódio” aos comunistas, na crença de nossa Srª. Nas lágrimas de saudades que perdes, sem saber bem porquê. Na dignidade da tua mãe, que passou para ti.
Ela é uma das pessoas que vejo na tua cara quando falas de amor.
São dela as histórias que ouves à noite, na beira da cama.
Acalma-me acreditar que os que partem vão para um lugar melhor, deste onde nos encontramos.
A imagem da perda é muito dura. Não consigo pensá-la como um fim. Antes o começo de uma qualquer etapa, que eu não sei como é.
Quando passam os meus dias de Alberto, e a minha procura por uma verdade definita e perfeita, procuro os que partiram.
Encontro o meu avô nos desenhos animados que víamos juntos. Sei que está sempre sentado na ponta do sofá, pronto para me contar uma história.
A minha bisavó Cença passeia-se pela casa, como se marchasse. Ficou-lhe o hábito da infância, por ter sido criada por um republicano. É sempre ela que abre a porta quando ajudamos alguém.
Todos os dias oiço o barulho do meu avô Carlos a escrever à máquina. O pai dele é a pessoa de cachimbo, que anda sempre carregada de livros, a discutir um mundo diferente.
O meu trisavô vive nas memórias da República. É esse princípio, o de um estado laico e igualitário para todas as classes, a origem das nossas ideias cá em casa.
Sei que sempre que caio me amparam as quedas. Estão sempre aqui. Ao pé de mim.
A tua avó continua aqui. Continua na tua mãe, em ti, e no teu mano.
Está presente nos hamburgos, no “ódio” aos comunistas, na crença de nossa Srª. Nas lágrimas de saudades que perdes, sem saber bem porquê. Na dignidade da tua mãe, que passou para ti.
Ela é uma das pessoas que vejo na tua cara quando falas de amor.
São dela as histórias que ouves à noite, na beira da cama.
Friday, September 14, 2007
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