Às vezes é a maneira como coloca a mão em cima da mesa no meio de uma conversa acesa. Outras vezes é a quando me vejo ao espelho a sorrir, quase de perfil. De cada vez que as calças ou os vestidos me custam a passar na anca, lembro-me sempre da minha mãe.
Nós não somos a cara-chapada uma da outra. Mas há em mim tanto dela. Tanto.
É da minha mãe que me vem a força, a vontade, a capacidade de resposta. O teimar, sim eu também teimo em teimar. É aos mimos dela que vou buscar energia quando estou em baixo.
Foi com a minha mãe que aprendi que a palavra amor pode ter múltiplos significados. É nela que eu penso, quando penso que quero ser alguém.
E naqueles momentos em que quase desabo, lembro-me dos momentos em que ela quase desabou. E vejo o quanto ela é tão mais forte do que eu e o quanto eu quero ser assim. Um dia, quando for grande.
