O pai de uma grande amiga partiu. Foi levado por inimigo traiçoeiro que não costuma perder. De um momento para o outro a fragilidade da vida ficou exposta. Sem qualquer remédio, a não ser enfrentá-la.
Jurei a mim mesma que não desabava no momento em que lhe daria primeiro abraço. Não aconteceu. Às tantas já não sabia qual a razão das minhas lágrimas. Se eram por um amor de quase 40 anos que chegava ao fim. Se pela dor da minha amiga. Se pelas (boas) memórias que tenho dele. Se pela revolta de ver morrer um homem bom tão cedo.
No momento em que a abracei a ela e à mãe desabei, mais do que uma vez. Não são suficientes os clichés de "temos de aproveitar a vida porque só temos uma". Mas isso é tão verdade. Tão verdade.
Por mais dificuldade que tenha em Acreditar, repito aquilo que um dia já aqui escrevi: "Quando passam os meus dias de Alberto, e a minha procura por uma verdade definita e perfeita, procuro os que partiram". O avô do Manuel continua nos olhos azuis dele.
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Monday, July 25, 2011
Sunday, December 19, 2010
Sabem quando conseguem ser todas as personagens da vossa vida?
Tipo: a filha, a madrinha, a tia, a amiga, a profissional... e por aí fora... Pois é, tenho andado a sê-lo, com sucesso, e de saltos altos!
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Tuesday, December 07, 2010
Manuel II
Agora que já lhe vi o coração, que já o ouvi respirar, que sei que já está em posição para cá chegar, fico mais descansada.
Quando no fim de Janeiro o tiver ao colo sei que a vida se vai encher ainda mais. Tenho um mar de amor e mimos para lhe dar. Está quase cá o Manuel.
Quando no fim de Janeiro o tiver ao colo sei que a vida se vai encher ainda mais. Tenho um mar de amor e mimos para lhe dar. Está quase cá o Manuel.
Friday, November 26, 2010
Isabel Maria II
Um voz pequenina e doce, mas num português perfeitinho, do outro lado da linha diz: "Mãe", "António". E naquele momento um aperto no peito e uma saudade maior que o mar que me separa dos Açores.
Monday, July 05, 2010
Começámos com um post
Um texto provocado por um choro de bebé no voluntariado. Um gosto e desejo em comum. Chá para aqui, chá para ali comecei a referir-me a ela como a minha amiga Clara.
Estive lá num dos dias mais especiais da vida dela. Foi com orgulho que, num jardim cheio de sol, a vi jurar amor. Nada que eu não soubesse, mas mesmo assim os gestos de ternura e amor não deixam de me emocionar e enternecer.
À distância percebo o GRANDE amor que ela está a viver, o da maternidade. Quando leio o que ela escrever e vejo as fotografias que têm com a filha sinto a sensação de estar eternamente apaixonada. Fico feliz. Sim, a imagem da felicidade das minhas pessoas também não deixa de me fazer feliz.
Mas dana-me que tudo seja à distância. Dana-me não ter tempo para me meter num avião e voar até São Miguel. Dana-me que goste tanto da bebé e ainda não lhe tenha pegado ao colo. Dana-me tanto que, na maior parte dos dias, escondo o sentimento da saudade.
O único consolo é a esperança do momento que a distância se vai quebrar.
Para a C. e para a I.
Estive lá num dos dias mais especiais da vida dela. Foi com orgulho que, num jardim cheio de sol, a vi jurar amor. Nada que eu não soubesse, mas mesmo assim os gestos de ternura e amor não deixam de me emocionar e enternecer.
À distância percebo o GRANDE amor que ela está a viver, o da maternidade. Quando leio o que ela escrever e vejo as fotografias que têm com a filha sinto a sensação de estar eternamente apaixonada. Fico feliz. Sim, a imagem da felicidade das minhas pessoas também não deixa de me fazer feliz.
Mas dana-me que tudo seja à distância. Dana-me não ter tempo para me meter num avião e voar até São Miguel. Dana-me que goste tanto da bebé e ainda não lhe tenha pegado ao colo. Dana-me tanto que, na maior parte dos dias, escondo o sentimento da saudade.
O único consolo é a esperança do momento que a distância se vai quebrar.
Para a C. e para a I.
Saturday, July 03, 2010
Todos somos várias pessoas
Cruzei-me esta semana na rua com um escritor conhecido da nossa praça. Habituada à imagem de galã da referida personagem fiquei surpreendida com a conversa que o ouvi ter ao telefone.
De telemóvel em punho e aliança grossa e reluzente, que se destacava num look casual de fim-de-semana, dizia a alguém do outro lado da linha que não se tinha esquecido das salsichas para a filha mais nova e que ia buscar o mais velho e o do meio à escola. A conversa decorria com a terceira mulher que estava a preparar o fim-de-semana prolongado com os enteados, frutos de duas anteriores relações do escritor.
Não resisti a fazer um ar de espanto, do género "mas-tu-também-tens-preocupações comezinhas-e-tratas-das-tuas-crianças-e-até-te-passas-ao-telefone
-com-a-tua-mulher-como-se-fossem-assim-um-casal-normal?!" É que sempre o tinha visto como um escritor mulherengo, livre e sem compromissos. E se calhar ele até é assim. Mas também é mais do que isso. Além de homem é pai, companheiro, filho... E em poucos segundos o impacto daquele encontro imediato fez-me pensar na quantidade de papéis sociais que representamos na vida.
Eu sou mulher, jornalista, filha, amiga, tia. Sou uma só Carolina, mas as minhas diferentes tarefas podem-me fazer parecer diferentes Carolinas...
De telemóvel em punho e aliança grossa e reluzente, que se destacava num look casual de fim-de-semana, dizia a alguém do outro lado da linha que não se tinha esquecido das salsichas para a filha mais nova e que ia buscar o mais velho e o do meio à escola. A conversa decorria com a terceira mulher que estava a preparar o fim-de-semana prolongado com os enteados, frutos de duas anteriores relações do escritor.
Não resisti a fazer um ar de espanto, do género "mas-tu-também-tens-preocupações comezinhas-e-tratas-das-tuas-crianças-e-até-te-passas-ao-telefone
-com-a-tua-mulher-como-se-fossem-assim-um-casal-normal?!" É que sempre o tinha visto como um escritor mulherengo, livre e sem compromissos. E se calhar ele até é assim. Mas também é mais do que isso. Além de homem é pai, companheiro, filho... E em poucos segundos o impacto daquele encontro imediato fez-me pensar na quantidade de papéis sociais que representamos na vida.
Eu sou mulher, jornalista, filha, amiga, tia. Sou uma só Carolina, mas as minhas diferentes tarefas podem-me fazer parecer diferentes Carolinas...
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Tuesday, June 15, 2010
Pequenos gestos que dizem tudo
Tenho uma amiga que me diz que quando estou numa determinada fase de espírito mexo no cabelo de uma maneira especial. Nunca lhe costumo dar crédito.
Hoje, quando passava em frente ao espelho, vi que estava a fazer o tal gesto.
Hoje, quando passava em frente ao espelho, vi que estava a fazer o tal gesto.
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