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Wednesday, August 17, 2011
Sunday, October 17, 2010
Como um rochedo
Sou uma rapariga bem criada. Tive direito a todos os mimos e mais alguns deste mundo. O papá e a mamã nunca me faltaram com nada. Nem material, nem emocional.
Se por um lado nunca me disseram que 'não' a todas as coisas que lhes pedia, por outro sempre me explicaram que éramos privilegiados e que isso vem com responsabilidades acrescidas. Daí que tenha aprendido o valor do dinheiro, do trabalho, da dignidade, da solidariedade, da compaixão, da amizade, da partilha.
Fui filha única numa família onde a casa esteve sempre cheia. Desde cedo conheci pessoas e países que a maioria dos meus colegas - da escola pública "porque é importante conviver com crianças de todos os estratos sociais" -, nunca tinham ouvido falar.
Ensinaram-me a não fazer as coisas superficialmente. Se somos amigos, somos AMIGOS, se somos companheiros, somos COMPANHEIROS, se vamos à luta, então... preparamos-nos para entrar em guerra.
Depois cresci. Construí-me na pessoa que sou hoje com os alicerces que os meus pais me foram dando. Aproveitei cada bocado de experiência de vida, cada amigo, cada história, cada viagem.
Tornei-me mulher e com isso veio a parte mais difícil. O ter de conquistar aquilo que não era um bem adquirido. Apesar de não ser fácil para muita gente, a verdade é que depois de uma "vida de princesa" a vida levou-me a travar muitas batalhas.
Tantas que um dia ouvi o meu pai dizer, sem saber que eu estava a ouvir, que tinha orgulho em mim, porque eu não desistia, não tinha medo do trabalho, era esforçada em tudo o que fazia.
E era. Aliás, sou. Como diz a A., "tu procuras sempre o que é mais difícil'. Respondo-lhe que cada um é para o que nasce, por isso já desisti de mudar o meu dna.
Travei muitas batalhas, perdi quase todas as guerras. Mas também ganhei nessas derrotas. Fortaleci-me. Transformei-me numa pessoa que aguenta tudo o que lhe vão dizer. Mesmo que doa. E dói tanto. Tanto.(e são tantas as vezes em que a dor é mais forte que a minha capacidade de respirar) Mas aguento-me. Oiço. Reflito. Penso. E faço a digestão de cada problema de uma vez.
O caminho que tenho pela frente ainda é muito longo. Mas mesmo nos meus dias de maior cansaço nunca me passa pela cabeça desistir. Continuo a guiar-me da mesma maneira. A única coisa que mudou é que me tornei dura. Como um rochedo.
Se por um lado nunca me disseram que 'não' a todas as coisas que lhes pedia, por outro sempre me explicaram que éramos privilegiados e que isso vem com responsabilidades acrescidas. Daí que tenha aprendido o valor do dinheiro, do trabalho, da dignidade, da solidariedade, da compaixão, da amizade, da partilha.
Fui filha única numa família onde a casa esteve sempre cheia. Desde cedo conheci pessoas e países que a maioria dos meus colegas - da escola pública "porque é importante conviver com crianças de todos os estratos sociais" -, nunca tinham ouvido falar.
Ensinaram-me a não fazer as coisas superficialmente. Se somos amigos, somos AMIGOS, se somos companheiros, somos COMPANHEIROS, se vamos à luta, então... preparamos-nos para entrar em guerra.
Depois cresci. Construí-me na pessoa que sou hoje com os alicerces que os meus pais me foram dando. Aproveitei cada bocado de experiência de vida, cada amigo, cada história, cada viagem.
Tornei-me mulher e com isso veio a parte mais difícil. O ter de conquistar aquilo que não era um bem adquirido. Apesar de não ser fácil para muita gente, a verdade é que depois de uma "vida de princesa" a vida levou-me a travar muitas batalhas.
Tantas que um dia ouvi o meu pai dizer, sem saber que eu estava a ouvir, que tinha orgulho em mim, porque eu não desistia, não tinha medo do trabalho, era esforçada em tudo o que fazia.
E era. Aliás, sou. Como diz a A., "tu procuras sempre o que é mais difícil'. Respondo-lhe que cada um é para o que nasce, por isso já desisti de mudar o meu dna.
Travei muitas batalhas, perdi quase todas as guerras. Mas também ganhei nessas derrotas. Fortaleci-me. Transformei-me numa pessoa que aguenta tudo o que lhe vão dizer. Mesmo que doa. E dói tanto. Tanto.(e são tantas as vezes em que a dor é mais forte que a minha capacidade de respirar) Mas aguento-me. Oiço. Reflito. Penso. E faço a digestão de cada problema de uma vez.
O caminho que tenho pela frente ainda é muito longo. Mas mesmo nos meus dias de maior cansaço nunca me passa pela cabeça desistir. Continuo a guiar-me da mesma maneira. A única coisa que mudou é que me tornei dura. Como um rochedo.
Thursday, September 09, 2010
Dias bons, dias maus
Com o tempo aprendi a gostar de mim, da minha vida, do meu mundo que ainda é tão incompleto. (Houve alturas em que achei que isso só fosse acontecer quando tivesse alcançado todos os objectivos.)
Nada disto significa que me estou a acomodar à realidade, pelo contrário. O facto de me sentir bem na minha pele dá-me mais força para continuar a lutar pelo que quero ser, seja no campo pessoal ou no profissional.
Com serenidade aceito que há dias bons e outros que são maus. Mas tenho a certeza que quando todas as 24 horas terminam eu sou feliz. Independentemente daquilo que me façam.
Nada disto significa que me estou a acomodar à realidade, pelo contrário. O facto de me sentir bem na minha pele dá-me mais força para continuar a lutar pelo que quero ser, seja no campo pessoal ou no profissional.
Com serenidade aceito que há dias bons e outros que são maus. Mas tenho a certeza que quando todas as 24 horas terminam eu sou feliz. Independentemente daquilo que me façam.
Friday, July 23, 2010
A maior conquista da minha vida
Há qualquer coisa de absolutamente fantástico quando, no meio do rebuliço do dia-a-dia, me apercebo de que sou quem controla o caminho.
Quando resolvo os problemas sem parar o mundo. Quando ultrapasso as tormentas quase sem ninguém se aperceber delas. Quando decido. Quando chego a casa e me sinto bem, apesar dos dissabores. Quando aceito que vou ter de conjugar o que de bom e mau a vida me trouxer.
Quando me sinto preenchida, apesar da enorme vontade de conquistar mais, e não tenho medo do amanhã.
Sentir tudo isto foi a maior conquista da minha vida.
Quando resolvo os problemas sem parar o mundo. Quando ultrapasso as tormentas quase sem ninguém se aperceber delas. Quando decido. Quando chego a casa e me sinto bem, apesar dos dissabores. Quando aceito que vou ter de conjugar o que de bom e mau a vida me trouxer.
Quando me sinto preenchida, apesar da enorme vontade de conquistar mais, e não tenho medo do amanhã.
Sentir tudo isto foi a maior conquista da minha vida.
Sunday, July 18, 2010
A vida tal como ela é
Quem nunca deu por a pensar consigo próprio 'ai se não tivesse feito isto...' levante a mão! Sim, já todos passámos por aquele momento de auto-flagelação em que percebemos que metemos a pata na poça... e já é tarde demais. Aí juramos ao nosso ser interior que jamais cometeremos tal erro.
Eu costumo dizer aos meus amigos que têm filhos que o maior desafio da parentalidade é aceitar o crescimento das crianças, controlando o ímpeto (natural) de os andar sempre a proteger. É que as pessoas precisam de aprender com as quedas. Aprender não só as lições de vida que essas quedas dão, mas também a levantar-se do chão.
É este conselho que ando a tentar aplicar na minha vida. Não vale a pena pensar demasiado nos atos. Não é por analisar, minuciosamente, cada situação que se evita uma queda no futuro. Os maus momentos, as más escolhas e os erros fazem parte das nossas vidas (e todos os vamos cometer).
Não existem preservativos que nos protejam das amarguras da vida. A vida é para ser vivida tal como é. Com o bom e o mau a correrem lado-a-lado.
Eu costumo dizer aos meus amigos que têm filhos que o maior desafio da parentalidade é aceitar o crescimento das crianças, controlando o ímpeto (natural) de os andar sempre a proteger. É que as pessoas precisam de aprender com as quedas. Aprender não só as lições de vida que essas quedas dão, mas também a levantar-se do chão.
É este conselho que ando a tentar aplicar na minha vida. Não vale a pena pensar demasiado nos atos. Não é por analisar, minuciosamente, cada situação que se evita uma queda no futuro. Os maus momentos, as más escolhas e os erros fazem parte das nossas vidas (e todos os vamos cometer).
Não existem preservativos que nos protejam das amarguras da vida. A vida é para ser vivida tal como é. Com o bom e o mau a correrem lado-a-lado.
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Sunday, July 11, 2010
E depois... ficamos bem
Dizem que é o primeiro desgosto que nos marca a vida. Eu acho que é a primeira canalhice que se torna o "ponto zero" das nossas vidas, aquele sinal imaginário a partir do qual medimos se é bom ou mau tudo o que nos fazem.
E assim vamos vivendo e convivendo com os que nos rodeiam. Sempre a achar que A e é melhor que B e que C não é tão bonzinho como parece, já que, o D afinal é muito melhor. Tudo isto nos enriquece, nos ensina. Umas vezes dá-nos medo e faz-nos recuar. Outras incentiva-nos a colocar o pessimismo em segundo lugar.
Mas o melhor de tudo vem quando vivemos as coisas sem medo. Sem medo de saber como vão acabar, sem medo de perder ou ganhar o que quer que seja. Sem medo que se repita a tal canalhice que nos marcou. Talvez melhor ainda seja chegar ao fim das etapas e ver que se está bem.
E assim vamos vivendo e convivendo com os que nos rodeiam. Sempre a achar que A e é melhor que B e que C não é tão bonzinho como parece, já que, o D afinal é muito melhor. Tudo isto nos enriquece, nos ensina. Umas vezes dá-nos medo e faz-nos recuar. Outras incentiva-nos a colocar o pessimismo em segundo lugar.
Mas o melhor de tudo vem quando vivemos as coisas sem medo. Sem medo de saber como vão acabar, sem medo de perder ou ganhar o que quer que seja. Sem medo que se repita a tal canalhice que nos marcou. Talvez melhor ainda seja chegar ao fim das etapas e ver que se está bem.
Tuesday, June 15, 2010
Sair do lugar seguro
Todos nós temos um lugar seguro. Aquele sítio onde estamos confortáveis e onde sabemos que ninguém nos vai magoar. Na maior parte dos dias compensa.
O problema é quando percebemos que a vida não é feita para lugares seguros. E aí entramos em debate com o Medo (sim o Medo com maiúscula). Os meus debates com ele costumam ser sempre longos. Peso na balança as vantagens e desvantagens de sair do tal lugar seguro. Meço os caminhos que terei de fazer. Oiço mil uma vozes. Até que a minha voz interior se manifesta. Há que dar o passo para o vencer.
É que a vida não foi feita para ser passada ao lado. Há dias comecei a vencer o tal Medo e... sabe tão bem...
O problema é quando percebemos que a vida não é feita para lugares seguros. E aí entramos em debate com o Medo (sim o Medo com maiúscula). Os meus debates com ele costumam ser sempre longos. Peso na balança as vantagens e desvantagens de sair do tal lugar seguro. Meço os caminhos que terei de fazer. Oiço mil uma vozes. Até que a minha voz interior se manifesta. Há que dar o passo para o vencer.
É que a vida não foi feita para ser passada ao lado. Há dias comecei a vencer o tal Medo e... sabe tão bem...
Tuesday, June 01, 2010
Equilíbrio
Toda a vida a balança pesou mais para o vosso lado. As fases da vida que me trouxeram à vida adulta foram sempre um carrossel de emoções com histórias, aventuras, sabores e dissabores.
Com o tempo, as coisas começaram a ficar mais equilibradas. A vida encarregou-se de nos colocar batalhas e provações. Isso muda uma pessoa. Faz crescer. Acho que hoje já tomamos todos conta uns dos outros.
A verdade é que, mesmo quando a balança só pendia para o vosso lado, partilhámos tudo. Sem dúvidas de que estaríamos cá para ampararmos as quedas uns dos outros.
No dia em que a vida muda - sim eu sei que ela muda todos os dias, mas hoje muda mais -, levo nos caixotes o bom senso, a solidariedade e a capacidade de amar que vocês me ensinaram.
Coisa que gosto/ É poder partir/ Sem ter planos/ Melhor ainda/ É poder voltar/ Quando quero
Parto para voltar sempre que não conseguir controlar os afectos.
Este post é para a minha mãe e para o meu pai.
Com o tempo, as coisas começaram a ficar mais equilibradas. A vida encarregou-se de nos colocar batalhas e provações. Isso muda uma pessoa. Faz crescer. Acho que hoje já tomamos todos conta uns dos outros.
A verdade é que, mesmo quando a balança só pendia para o vosso lado, partilhámos tudo. Sem dúvidas de que estaríamos cá para ampararmos as quedas uns dos outros.
No dia em que a vida muda - sim eu sei que ela muda todos os dias, mas hoje muda mais -, levo nos caixotes o bom senso, a solidariedade e a capacidade de amar que vocês me ensinaram.
Coisa que gosto/ É poder partir/ Sem ter planos/ Melhor ainda/ É poder voltar/ Quando quero
Parto para voltar sempre que não conseguir controlar os afectos.
Este post é para a minha mãe e para o meu pai.
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