"Primeiro levaram os negros,
Mas não me importei com isso,
Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas não me importei com isso,
... Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis,
Mas não me importei com isso,
Porque eu não sou miserável.
Depois agarraram uns desempregados,
Mas como tenho o meu emprego,
Também não me importei.
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo."
Bertold Brecht (1898-1956)
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Friday, November 25, 2011
...
Monday, March 14, 2011
Para a C.
Estou quase há tantos anos na mesma situação em que ela estava quando a conheci. Lembro-me do que ela se queixava e comparo comigo, agora.
Confesso que na altura não dei o devido valor. A inocência da juventude fazia acreditar que todos os homens eram bons. (Não são.)
Quatro anos passados, tenho-lhe um enorme respeito. Enorme. Pela maneira digna como encarou as filhas-da-putice sucessivas. Pela coragem com que continua a trazer bebés lindos ao mundo, apesar da precariedade. Pela forma com os educa sem culpar o mundo. Por continuar a remar contra a maré. Por não desistir, quando era mais fácil ficar fechada em casa. Por conhecer o sentimento da solidariedade.
Confesso que na altura não dei o devido valor. A inocência da juventude fazia acreditar que todos os homens eram bons. (Não são.)
Quatro anos passados, tenho-lhe um enorme respeito. Enorme. Pela maneira digna como encarou as filhas-da-putice sucessivas. Pela coragem com que continua a trazer bebés lindos ao mundo, apesar da precariedade. Pela forma com os educa sem culpar o mundo. Por continuar a remar contra a maré. Por não desistir, quando era mais fácil ficar fechada em casa. Por conhecer o sentimento da solidariedade.
Thursday, March 18, 2010
Salvar os que se afogam

Num documentário sobre "A Queda" - o filme alemão que mostra os últimos dias de Hitler -, a dada altura a secretária do ditador diz que se arrepende de não ter "feito frente" ao III Reich.
O momento do arrependimento aconteceu no pós-guerra quando passou por um memorial improvisado em honra dos resistentes do nazismo e viu o nome de uma rapariga da sua terra, da mesma idade, que acabou por morrer. Conta Traudl Junge que ao ver uma rapariga da mesma origem e idade seguir um caminho oposto ao seu viu que, afinal, também poderia ter feito o mesmo.
Penso sempre nisto sempre que me dizem que, às vezes, temos de nos acomodar aos regimes e às situações por não termos força para os combater.
Irena Sendler escolheu o caminho da solidariedade, honra e dignidade. O caminho do combate. Em nome dos valores em que acreditava - tão simples como a solidariedade-, percorreu o gueto de Varsóvia levando comida e medicamentos aos judeus. Até à evacuação do gueto, em 1942, resgatou 2.500 crianças judias, levando-as escondidas para que pudessem sobreviver.
O feito valeu-lhe a prisão e tortura em 1943. Em 2007, foi proposta a Prémio Nobel da Paz, num ano em que o laureado foi Al Gore.
Desaparecida desde 2008, deixou para a eternidade uma mensagem: "Fui educada na ideia de que é preciso salvar qualquer pessoa (que se afoga), sem ter em conta a sua religião ou notoriedade". Eu também acredito.
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