
Todos os dias acordo às 6 da manhã. Em três desses dias vou ao ginásio. 1h30m de exercício, mas meia hora para passar creme pelo corpo e maquilhagem na cara. (Já não me consigo ver sem eles)
Às 9 estou a trabalhar, numa jorna que nunca acaba antes das 22 horas. Pelo meio um almoço com amigas ou uma sandes, mas sempre a correr. O destino é incerto, varia consoante o que tenho em mãos para fazer. Uma das melhores coisas do meu trabalho é que não tem rotina. Um dia fico 10 horas em frente a um computador, no outro passo o dia a correr numa qualquer auto-estrada do país.
Depois das 22 vêm os compromissos sociais. Altura para compensar as horas de trabalho. Tango, alemão, árabe, voluntariado, tentar ser um bocadinho mais do que a profissão. Num instante os raros momentos de folgas enchem-se a tentar ver a família e os amigos de quem a vida me obriga a estar (demasiado) distante.
Quando chego a casa e pouso as chaves no móvel da entrada sei que a rotina ainda não acabou. Há uns quaisquer capítulos para ver, um texto para escrever, uma biografia para pesquisar, mails para responder.
Antes de me deitar limpo, religiosamente, a pele. Lavo os dentes e volto a passar creme pelo corpo. Só me aninho nos lençóis depois de escolher a roupa, os sapatos, a mala e os acessórios para o dia seguinte.
Durmo 4horas por dia. Várias vezes penso que vale a pena o esforço, ou será que um dia vou acordar e pensar 'para quê?' Será que no fim terei na memória a Primavera da vida?...
* inspirado aqui.